DEUS CONTINUA SENDO FIEL: TEXTO:( SALMOS 105:5 ).

Este Salmo nos apresenta a fidelidade de Deus em cumprir a Aliança com o Seu povo. Profeticamente, nos lembra que iremos celebrar esta fidelidade de Deus ao longo da eternidade. 

O Salmo nos encoraja a lembrarmos dos feitos passados de Deus. “Lembrem-se das maravilhas que ele fez, dos seus prodígios e das sentenças de juízo que pronunciou” (Sl 105:5, NVI) 

Não se esqueça dos milagres de Deus em sua vida. Escreva-os em um livro especial, mantenha-os como tesouros especiais, reflita sobre eles, especialmente quando você se sentir desanimado e, então, quando for adequado, reparta esses tesouros de pensamento com outras pessoas.

Falando profeticamente, os pensamentos desta canção serão cantados quando o povo de Deus estiver na presença do Senhor Jesus na Sua segunda vinda. 

Ao longo da história o Senhor foi fiel à Sua aliança, desde o tempo dos Patriarcas. Sim, Ele se lembrará para sempre da aliança que fez com Seu povo. Com esta aliança em mente, o Senhor enviou José adiante dos seus irmãos para o Egito. José foi exaltado para que pudesse abrir as portas da terra para o povo de Deus. 

Deus continuou a ser fiel através de Moisés e do Êxodo, enviando as pragas aos egípcios e libertando Seu povo com muita prata e ouro em suas mãos (Ex 13:21 e Salmo 105:37). Ele colocou a nuvem sobre eles para guiá-los e protegê-los  do calor do sol e a nuvem de fogo para iluminá-los à noite. Ele enviou pão do céu e fez jorrar água da rocha, a fim de atender às suas necessidades.

O mesmo Pai Celestial está disposto a prover poderosos e graciosos bens para você hoje porque Ele cumpre suas promessas! Louvado seja o Senhor por Sua fidelidade à aliança!

A REFORMA PROTESTANTE? E POSSÍVEL UMA NOVA REFORMA?

A Reforma Protestante foi um fenômeno que ocorreu no século 16 na Europa e resultou na divisão da Igreja entre Católicos e Protestantes. Os Protestantes questionaram as doutrinas e o rumo da Igreja Medieval que atravessava um período de grande crise e se afastava cada vez mais das Escrituras.

O principal foco da Reforma Protestante foi espiritual. Mas além do fator religioso, o movimento de reforma também abrangeu elementos políticos, econômicos, sociais e intelectuais.

A origem da Reforma Protestante

O contexto histórico revela que foi a união de diversos fatores que resultaram na Reforma Protestante. De forma bastante resumida, podemos pontuar os principais elementos que compuseram aquele ambiente histórico entre séculos 14 e 16 da seguinte forma:

  1. A economia estava sofrendo uma grande mudança. O modelo feudal estava em declínio e a burguesia estava se fortalecendo.
  2. Houve também o surgimento dos Estados Nacionais originando os países modernos da Europa. Isso causou uma descentralização no poder político, resultando, inclusive, em uma grande tensão entre o Estado e a Igreja.
  3. O conflito entre o Estado e a Igreja levou a um declínio do Papado. Nesse período ocorreu o chamado “Cativeiro Babilônico da Igreja” (1309-1377). Nesse tempo a administração da Igreja foi transferida de Roma para a França. Logo depois também ocorreu o “Grande Cisma”, um período em que até três papas rivais disputaram a liderança da Igreja simultaneamente.
  4. Nesse contexto também houve a guerra entre Inglaterra e França, a Guerra dos Cem Anos. Além disso, houve um aumento descomunal da mortalidade causado por várias epidemias, como a Peste Negra.
  5. Nesse momento já havia a manifestação de movimentos pró-reforma que antecederam a reforma do século 16. Embora alguns desses movimentos estavam muito ligados à luta por uma reforma moral, alguns homens lideraram movimentos de oposição direta à teologia da Igreja Medieval. Esses homens são chamados de pré-reformadores. Dentre os quais, se destacam John Wycliffe e John Huss. Conheça quem foram os pré-reformadores da igreja.
  6. Também surgiram os chamados “Movimentos Devocionais”. Esses movimentos não protestavam contra as doutrinas da Igreja, mas se concentravam na vida devocional. Mais tarde, esses movimentos também exerceram certa influência sobre os reformadores.
  7. No âmbito intelectual, nesse período da Renascença ocorreu também o movimento do humanismo. Entre os humanistas bíblicos, cresceu o interesse pelo estudo da Bíblia nas línguas originais em que ela foi escrita. Aqui se destaca a publicação do Novo Testamento Grego por Erasmo de Roterdã, uma obra que foi muito utilizada pelos reformadores.

A Igreja antes de Reforma

Falando especificamente sobre a Igreja do final da Idade Média, o que se podia ver era um distanciamento profundo das Escrituras. Além de toda corrupção na liderança da Igreja e em seu envolvimento com o Estado que causava muita insatisfação, as pessoas eram doutrinadas sob uma religiosidade baseada nos méritos humanos.

A doutrina da justificação pela fé havia sido substituída por uma teologia que ensinava a salvação pelas obras. O ensino bíblico a cerca do pecado havia sido banalizado com um verdadeiro comércio de perdão de pecados.

As pessoas podiam comprar garantias de sua salvação pessoal através das cartas de indulgências. Logo, o arrependimento nem mesmo era mais requerido para o perdão de pecados. Bastava apenas uma doação generosa para a Igreja para tudo ser resolvido. Segundo a liderança da Igreja, as indulgências poderiam, inclusive, resolver o problema de pessoas que já tinham morrido e que supostamente estavam no purgatório.

O início da Reforma Protestante do século 16

Apesar da existência anterior de outros protestos contra as doutrinas da Igreja Medieval, foi apenas no século 16 que o movimento de reforma alcançou proporções gigantescas. Esse movimento mudou definitivamente o Cristianismo mundial.

Vivendo sob esse ambiente obscuro, tanto teológico quanto moral, foi que surgiu o principal reformador: Martinho Lutero. Ele era um monge agostiniano nascido na Saxônia que resolveu protestar contra os abusos da Igreja. Então em 1517, Lutero pregou 95 Teses na porta da capela de wittenberg. Esse documento falava especialmente contra a questão das indulgências e apontava para a verdadeira doutrina bíblica da justificação pela fé.

A intenção de Martinho Lutero não era dividir a Igreja, mas convidar os teólogos a um debate e reflexão. Seu objetivo era promover uma reforma na igreja de dentro para fora, a fim de que ela retornasse às Escrituras e se tornasse mais semelhante a Cristo.

O protesto de Lutero foi motivado por seu estudo cuidadoso das Escrituras, especialmente dos ensinos do apóstolo Paulo, acerca da salvação pela graça e não por obras. Um texto que mudou a visão teológica de Lutero definitivamente foi Romanos 1:17, quando ele leu que o justo viverá pela fé.

Tendo seu entendimento acerca das Escrituras iluminado pelo Espírito Santo, aquele monge alemão não poderia mais tolerar os abusos doutrinários da Igreja. Ele não conseguiu mais ficar calado diante da distorção do Evangelho.

A liderança da Igreja não admitiu o protesto de Lutero, e nem aceitou seu convite para um debate (disputa escolástica). Ao invés disso, a Igreja excomungou o monge alemão, condenando-o como herege. Consequentemente, Lutero começou a ser ameaçado e perseguido. Todo esse episódio abriu as portas para a Reforma Protestante.

Movimentos Protestantes

A Reforma Protestante foi um movimento heterogêneo. Isso significa que várias manifestações ocorreram nos países europeus. No geral, esses movimentos de reforma concordavam sobre os pontos centrais da fé cristã, mas discordavam em questões secundárias.

Os principais movimentos protestantes foram:

  • Luteranos, com a reforma na Alemanha sob a liderança de Martinho Lutero e Filipe Melanchton.
  • Reformados, com a reforma em Zurique sob a liderança de Ulrico Zuínglio, e em Genebra com João Calvino.
  • Anabatistas, também em Zurique com Conrad Grebel e Felix Mantz. Esse movimento era mais radical e conflitava, inclusive, com o movimento reformado de Zuínglio.
  • Anglicanos, com a reforma na Inglaterra sob a liderança de Henrique VIII e depois Eduardo VI e Maria I.

Depois do século 17, especialmente derivados dos movimentos de reforma na Suíça e na Inglaterra, surgiram novos grupos protestantes. Alguns desses grupos foram os presbiterianos, batistas, congregacionais e metodistas. Estes grupos foram importantíssimos na área de missões, com destaque para a evangelização das Américas.

As principais doutrinas da Reforma

De forma geral, o movimento de Reforma baseava-se em três pontos principais:

  1. A centralidade das Escrituras (Sola Scriptura). A Reforma trouxe uma rejeição à ideia de revelação continuada e deu ênfase à verdade de que somente a Bíblia é a Palavra de Deus infalível e inerrante. Isso significa que a revelação de Deus para o homem está completa e possui plena autoridade sobre todos, e nenhuma tradição jamais poderá equipará-la (Tota Scriptura).
  2. A justificação pela fé. Os reformadores rejeitaram qualquer ideia de justificação pelas obras que resultaria numa salvação meritória. Mais tarde esse ponto acerca da verdade bíblica sobre a obra da salvação foi sintetizado nos lemas: Sola Gratia (somente a graça), Solus Christus (somente Cristo), Sola Fides (somente a fé) e Soli Deo Gloria (somente a Deus a glória).
  3. O sacerdócio de todos os crentes. Os cristãos reformados entenderam que o único intermediário entre Deus e o homem é Cristo, e que através de sua obra todos os cristãos verdadeiros são feitos reis e sacerdotes, no sentido de que eles possuem acesso direto a Deus. Com isso, o conceito de divisão entre clero e leigos foi rejeitado, visto que a Igreja é a comunhão dos fiéis.

As consequências da Reforma

A Reforma Protestante causou uma divisão irreversível na Igreja Ocidental. Essa divisão foi acompanhada de muitos conflitos violentos entre católicos e protestantes. Infelizmente as pessoas matavam em nome da fé.

Para tentar combater os movimentos protestantes, a Igreja Católica promoveu o que ficou conhecido como “Contra-Reforma”. Nesse período a Inquisição foi um dos instrumentos utilizados. Também houve um tipo de Reforma Católica, com a tentativa de resolução de alguns erros e problemas do próprio catolicismo.

Apesar de tudo isso, a Reforma Protestante levantou a bandeira do Evangelho fazendo com que despertasse novamente aquele Cristianismo fundamentado nas Escrituras; um Cristianismo cujo centro é Cristo, semelhantemente ao que havia na Igreja do período apostólico. A Reforma Protestante foi o maior movimento espiritual desde o Pentecostes (Atos 2).

É possível uma nova Reforma hoje?

Depois de 500 anos, muitas pessoas se perguntam se é possível uma nova Reforma Protestante. Essa questão surge da constatação da realidade lamentável em que se encontra grande parte das comunidades protestantes atualmente. Todavia, é claro que uma reforma como a que ocorreu no século 16 não será mais possível.

Como vimos, uma série de fatores num ambiente histórico específico convergiram para o fenômeno da Reforma Protestante. Obviamente isso nunca mais se repetirá. Além do mais, quando a Reforma aconteceu só havia uma Igreja que precisava ser reformada (com exceção da Igreja Oriental).

Já na atualidade, temos milhares de igrejas que se distanciaram em menor e maior grau das Escrituras. Isso significa que embora uma Reforma Protestante como a que teve lugar no século 16 não seja mais possível, a verdade é que a Igreja continua clamando por reforma.

Independentemente da época, Satanás sempre levanta seus agentes para tentar distorcer e manipular a Palavra de Deus. Então os verdadeiros cristãos são diariamente apresentados diante de novos desafios em que é preciso defender a causa do Evangelho.

Por esse motivo a frase do teólogo reformado Gisbertus Voetius (1589-1676) é tão pertinente: Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est, que significa: “A Igreja é Reformada e está sempre se reformando”.

Apesar de também ser muito distorcida por grupos de pseudocristãos, essa frase indica a necessidade constante de a Igreja estar preocupada em se parecer mais e mais com Cristo e em sempre se aproximar das Escrituras como seu alvo principal. A Igreja deve manter em mente que a Palavra de Deus jamais muda.

É por isso que o grande destaque da reforma não foram as 95 Teses de Lutero, ou os 67 Artigos de Zuínglio, nem mesmo as Institutas de Calvino. O grande destaque da Reforma Protestante foi a Bíblia, a Palavra de Deus.

Os reformadores não descobriram novas doutrinas, mas apenas redescobriram as verdades imutáveis das Escrituras que tinham sido escondidas pelo entulho das tradições humanas. Isso significa que o verdadeiro agente reformador da Igreja não foi nenhum desses nomes, mas o próprio Espírito de Deus.

A Igreja genuína continua em reforma porque ela é Templo do Espírito Santo, e jamais deixará que tradições ou mesmo inovações e pensamentos relativistas e subjetivos soterrem a verdade do Evangelho. A Reforma Protestante do século 16 faz o cristão se lembrar da necessidade de não se dobrar ao pecado e da importância de se retornar às Escrituras quantas vezes forem necessárias.

A HISTÓRIA DO CRISTIANISMO:

O cristianismo continua sendo o movimento com o maior número de fiéis em todo o mundo até os dias de hoje. A história do cristianismo perpassa todo Oriente Médio, entra nas Américas através dos descobrimentos, e se firma como crença oficial de países como o Brasil até o século retrasado.

O cristianismo carrega uma história de grandes batalhas contra o Império Romano no Oriente, e posteriormente, com As Cruzadas, em nome da propagação da Igreja Católica. Tempos depois, uma das maiores vertentes do cristianismo é formada pelos protestantes, também chamados de evangélicos.

A história do cristianismo ainda está em curso, e uma das maiores demonstrações da sua força é a divisão dos séculos em a.C., que significa antes de Cristo, e d.C., que significa depois de Cristo. Vamos conhecer a origem do cristianismo, o símbolo do cristianismo, o que ele é e como surgiu.

A origem do cristianismo

O cristianismo tinha como objetivo igualdade de direitos entre ricos e pobres.

Antes de se aprofundar na história do cristianismo, é importante entender o significado dessa palavra.

No começo, lá na sua origem, o cristianismo não era fundamentalmente uma religião, e sim um grupo de pessoas que acreditavam na Torá, livro sagrado Judeu, que profetizava a história da vinda de um messias que morreria para salvar os pecados dos homens, e indicar o caminho de liberdade, e que acreditavam que esse messias já teria vindo na figura de Jesus Cristo.

Por sua vez, Cristo não é um sobrenome, nem um nome que Jesus teria adotado. Cristo é a tradução livre da palavra messias em hebraico, que tem como significado “o ungido”. Portanto, cristão significa “povo ungido”, ou em outras traduções, “parecidos com Cristo”.

Com Jesus, um grupo de pessoas teria começado a se rebelar contra o sistema do Império Romano, que dominava a região do Oriente Médio, entendida como Judeia. Por isso em muitas passagens nos livros do evangelho, Jesus encara o poder retirando o comércio dos templos, e encarando o imperador.

Durante a vida de Jesus, o Império Romano subjugava os mais pobres, e colocava o poder monopolizado, ou seja, exclusivo nas mãos da aristocracia e dos sacerdotes judeus.

Antes mesmo de ter um fim religioso, o cristianismo tinha um objetivo social, o da igualdade de direitos entre ricos e pobres. As passagens em que Jesus divide e multiplica pães, peixes e vinho são um exemplo disso.

Embora a maior parte dos fiéis acreditem que o cristianismo tenha surgido com a existência e liderança de Jesus Cristo, a verdade é que ele começou como movimento, e depois como religião, muito tempo depois de sua morte, intensificando o acirramento político entre as elites e os pobres.

O cristianismo tem o seu fundamento criado e expandido com a escrita da Bíblia, que como se sabe, foi redigida por várias mãos, com vários profetas que guiavam o povo contra o Império Romano, ensinando o que Jesus pregava.

Segundo os historiadores, não existe uma fonte oficial que comprove ou não a existência de Jesus Cristo. Alguns afirmam até que as histórias atribuídas a esse messias teriam origem em várias pessoas, em outros séculos, sendo deslocadas e juntadas em uma só pessoa.

Uma das crenças do cristianismo é a de que Jesus Cristo teria nascido na cidade de Belém, sob o comando do imperador Otávio. Esse, por sua vez, teria ouvido dos fariseus (povo judaico que viviam para os estudos da Torá), que o messias estava nascendo, e como forma de deter este que tiraria o seu poder, mandou assassinar todos os recém nascidos da Judeia.

Não existem menções a esse período em fontes não religiosas, a fonte oficial da história do cristianismo é a própria Igreja Católica, que compilou e elegeu os livros que existem no evangelho e a partir de então, começam a longa propagação do cristianismo.

Segundo a Igreja, a primeira fase da história do cristianismo se chama Cristianismo Primitivo e dura de 33, até 325 d.C. Nesse primeiro momento, ele é caracterizado como uma seita judaica que estava presente, sobretudo, na Judeia.

A história do cristianismo primitivo é cercada por simbologias que nos demonstram a intensa insatisfação com o tipo de governo que o mundo tinha, com a extrema desigualdade, pobreza e rigidez na mobilidade de classe social. Esse é um dos motivos pelos quais o cristianismo se expandiu para o mundo todo com o Apóstolo Paulo, que dá origem à Igreja

Jesus Cristo teria sido rejeitado pelos romanos, e também pelos grandes sacerdotes judeus, que tinham muito poder e riqueza e que não aceitavam a origem humilde do grande messias. Sua morte data do seu aniversário de 33 anos, segundo os evangelhos, e o começo da caminhada do profeta Paulo é logo em seguida.

Quando e como surgiu o cristianismo?

Era condenado a morte qualquer um que se negasse a adorar o imperador. (Foto: Freepik)

A origem do cristianismo é com a vida e ativismo de Jesus Cristo, porém, o movimento religioso é expandido pelo Apóstolo Paulo, que entende que a mensagem de Jesus Cristo deve ser ecoada por todo o mundo e começa a organizar e prospectar novos fiéis.

Existem subdivisões do cristianismo, uma delas se chama Cristianismo Ortodoxo, que tem como base as ideias do apóstolo Paulo durante a expansão do movimento. A propagação dessas ideias também é chamada de paulinismo, uma referência aos ensinamentos e escritos do apóstolo.

Durante todo período do Cristianismo Primitivo, até depois de Paulo, o cristianismo vivia sob a ilegalidade, e os cristãos eram massacrados com perseguição, prisão e condenação pelo Império Romano e pelos sacerdotes judeus.

O Império Romano obrigava aos seus súditos o culto divino ao imperador, ou seja, todas as honrarias que eram dadas aos deuses deveriam ser dadas ao imperador, incluindo a devoção e adoração dos fiéis.

Na história do cristianismo pós morte de Jesus, tem como justificativa para o maior número de condenações de seus membros, a falta de adoração desses para com o imperador, pois adoravam apenas Deus. Isso significava também um ato de rebeldia social, onde os cristãos, cansados da precariedade da vida, negavam a se curvar ao domínio romano.

Uma das formas mais conhecidas de condenação aos cristãos era jogá-los para as feras. Em estádios como o Coliseu, era comum que os divertimentos fossem gladiadores que lutavam até a morte, e condenados que lutavam por suas vidas tentando escapar de leões.

A formação da igreja apostólica

O cristianismo se tornou uma força que não podia mais ser ignorada.

O processo de aceitação do cristianismo é longo e se dá quando, mesmo violentamente perseguidos, o número de adeptos aumenta, inclusive nas classes mais abastadas.

Um grande símbolo do cristianismo é a sua crença de que após a morte, os fiéis que seguiram a Jesus Cristo entrarão no Paraíso. Essa foi a bandeira que os adeptos ergueram para que o Império Romano começasse a enxergá-los sem ser uma ameaça social e sim como um grupo religioso forte e coerente.

Com o avanço e o crescimento do cristianismo, ele se tornou uma força que não só não poderia mais ser ignorada, como também perdia a possibilidade de ser perseguida, fazendo com que os poderosos romanos se convertessem à nova religião.

Um dos motivos que levaram a conversão do Império foi a desmistificação de que os cristãos seriam pessoas agressivas. O imperador percebeu que os que seguiam a doutrina de Cristo acreditavam no poder hierarquizado e que seria muito mais fácil controlá-los se tivessem sob seu domínio e não contra eles.

Nesse momento a Igreja Católica, começa a se formar, institucionalizando-se de forma organizada como base do novo Império Romano. Os sacerdotes são nomeados como clero, e seus postos são colocados como bispos, presbíteros, entre outros. Nesse momento, essa é a única organização cristã.

A partir do ano 300, a Igreja se potencializa e começa a fazer parte do poder imperial. Os romanos dividem seu território em províncias eclesiásticas, e os divide entre os mais importantes clérigos. As principais províncias nesse período, com maior força oriunda do cristianismo são Constantinopla, Roma, Alexandria e Antioquia.

A província de Roma toma a frente das outras, pela sua magnitude e por seu bispado forte que controla o poder imperial, alegando ser o herdeiro direto do apóstolo Pedro, designado por Jesus a criar a sua igreja, segundo o evangelho. Roma se torna sede do cristianismo, sendo ele completamente legalizado e institucionalizado.

O imperador Constantino vai ter uma importância fundamental na história do cristianismo. Em 313, Constantino mandar publicar a ordem de tolerância religiosa, pedida pelo clero em ascensão, chamada Édito de Milão.

Em troca dessa ordem, que beneficiou a fundação da Igreja Católica, o imperador tinha o apoio na mudança de governo, em que ele extinguiu a tetrarquia, uma forma de governo em que o poder era dividido entre quatro governantes, pela monarquia, em que somente Constantino era o imperador.

Um dos feitos mais famosos de Constantino, intimamente ligado com a origem oficial do cristianismo, foi a promulgação do primeiro Concílio de Nicéia, em 325, o primeiro de vários que vão estabelecer parâmetros e regras para a igreja.

A história do cristianismo ainda tem como impasse a morte de Constantino e a subida ao trono do imperador Juliano, em 361, que tentou reerguer o paganismo, antiga religião romana, e tornar o cristianismo ilegal novamente. Mas a sua morte precoce, três anos depois de subir ao trono, o impede disso.

O grande imperador Todósio vai oficializar a Igreja Católica como a única religião que deve existir em todo o Império Romano entre os anos de 379 e 396.

Com a morte de Teodósio, seus filhos Arcádio e Honório começam a governar separadamente o império.

Arcádio torna-se imperador do Império Romano do Oriente, que vai ter a Igreja Bizantina como foco, e a sua capital será nomeada Constantinopla em homenagem a Constantino. E Honório torna-se imperador do Império Romano do Ocidente, tendo Roma como sua capital.

O cristianismo na idade média

As batalhas mais sangrentas desse período foram As Cruzadas.

Igreja Católica foi, por muitos séculos, a principal referência do cristianismo. Sendo refutada muito tempo depois pelos protestantes, comandados por Martin Lutero.

Na Idade Média,a igreja já está estabelecida como um dos principais poderes do império. A estrutura social da época pode ser entendida como um triângulo, onde o topo é constituído pela nobreza, em seguida vem o clero e por último os aldeões e plebeus.

O fim do cristianismo primitivo acontece na idade média, depois de um longo processo de expansão pela Europa, em que as zonas rurais estavam em crescimento e as urbanas sofriam com a precariedade.

O Oriente continha o maior número de Cristãos, mas o Ocidente estava começando a sua expansão marítima, e a igreja era parte fundamental na negociação com os povos descritos como “bárbaros”.

Nesse momento começam a aparecer as companhias jesuíticas, que apoiavam a colonização de outros povos. O cristianismo no Oriente mantém uma base ortodoxa e não se expande como o europeu.

Na história do cristianismo são muitos os momentos em que a igreja vai dar o tom da ajuda social. Na Itália, durante o governo do imperador Justiniano I, a população vai sofrer com a fome, a peste e com as guerras contra os Povos Bárbaros, O clero vai ajudar o imperador, alimentando a multidão de famintos em suas missas.

Como retorno, Gregório I vai nomear o primeiro prefeito cristão do mundo, o papa Gregório I. O cristianismo se torna a única religião oficial e qualquer outra é tida como herética e contra a lei.

A fim de controlar a população, na idade média vão se intensificar a tortura de mulheres por meio da Santa inquisição (um grupo de pessoas que averiguavam a heresia e condenavam à fogueira quem era considerado pagão ou bruxa).

Entre a Idade Média e a Idade Moderna, o cristianismo vai ter outra interpretação promovida por um grupo chamado de protestantes, que dão origem aos evangélicos. Liderados por Martin Lutero, esse grupo acreditava que a Igreja Católica mantinha um mecanismo de exploração que comercializava as indulgências (cobrava das pessoas dinheiro em troca do perdão de seus pecados).

A religião protestante foi crescendo com a justificativa de ser um cristianismo puro e simples, em que qualquer um teria livre acesso a Deus, sem precisar pagar por um intermédio. Do ponto de vista social e econômico, os protestantes estavam ligados à nova burguesia que queria liberdade econômica e uma monarquia aberta.

As batalhas mais sangrentas desse período foram As cem que cavaleiros, em nome de Deus e da igreja Católica, lutavam contra os hereges, pessoas que não professavam a fé católica.

O cristianismo no Brasil

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, nele já haviam outros povos originários da América, também conhecidos como índios, e esses possuíam diversas crenças.

Uma das táticas de colonização do Brasil se mistura com a história do cristianismo. Foram enviados jesuítas, padres que são responsáveis pela negociação do império com os povos descobertos, para que catequizassem e formassem mão de obra para o Império Português.

Essa é a origem do cristianismo no Brasil. Com essas companhias, milhares de indígenas foram catequizados, e as religiões e culturas por eles praticadas foram exterminadas.

A religião católica era a oficial, e a conversão desses povos foi parte importante para a dominação dos mesmos. Uma das principais imagens que temos pintada sobre a Colonização no Brasil se chama Primeira Missa, e retrata a primeira reunião religiosa que aconteceu na Bahia, com vários indígenas em volta do bispo.

Por muitos séculos, o catolicismo foi a religião oficial, sendo retirada após a implementação do artigo 5 escrito por Ruy Barbosa em 1890, que afirma que o Brasil é um Estado Laico.

Qual é o símbolo do cristianismo?

O símbolo do cristianismo mais importante é a Bíblia sagrada.

O cristianismo possui muitos símbolos de religiões diferentes, mas o principal entre todos é a cruz, que lembra a crucificação de Jesus Cristo.

Esse símbolo atravessou os séculos e, durante As Cruzadas, era a principal forma de identificar quem era cristão e quem era herege.

Para o catolicismo, o papa tem uma simbologia importante, rememorando os antigos apóstolos de Jesus. Os santos relembram pessoas que foram importantes para a expansão do cristianismo, e hoje têm um lugar no paraíso.

O símbolo do cristianismo mais importante, em qualquer religião, no entanto, são os textos do evangelho compilados na Bíblia.

Resumo do conteúdo

Nesse texto você aprendeu que:

  • No começo, o cristianismo era um grupo de pessoas que acreditavam na Torá, livro sagrado Judeu
  • Cristo é a tradução livre da palavra messias em hebraico, que tem como significado “o ungido”
  • A fonte oficial da história do cristianismo é a própria Igreja Católica
  • A origem do cristianismo é com a vida e ativismo de Jesus Cristo, porém, o movimento religioso é expandido pelo profeta Paulo
  • Durante todo período do Cristianismo Primitivo, até depois de Paulo, o cristianismo vivia sob a ilegalidade
  • O processo de aceitação do cristianismo se dá quando o número de adeptos aumenta
  • A partir do ano 300, a Igreja se potencializa, começa a fazer parte do poder imperial e passa a cobrar por indulgências
  • Entre a Idade Média e a Idade Moderna, o cristianismo vai ter outra interpretação promovida por um grupo chamado de protestantes, que dão origem aos evangélicos
  • A religião protestante cresceu com a justificativa de que qualquer um poderia ter acesso a Deus
  • O cristianismo no Brasil começou com padres portugueses enviados para catequizarem os índios
  • O símbolo do cristianismo mais importante é a Bíblia.

1- Quando e como surgiu o cristianismo?R: O cristianismo começou como movimento, e depois como religião, muito tempo depois da morte de Cristo, intensificando o acirramento político entre as elites e os pobres.2- O que quer dizer a palavra cristão?R: Em tradução livre, Cristão significa “povo ungido”, ou em outras traduções, “parecidos com Cristo”.3- O que prega o cristianismo?R: A maior crença pregada pelo cristianismo é a de que após a morte de qualquer pessoa, se ela seguir a Jesus Cristo, entrará no Paraíso.4- Por que surgiram os protestantes?R: Um dos motivos do surgimento deles é que perceberam a Igreja Católica cobrando das pessoas dinheiro em troca do perdão de seus pecados, e viram que isso estava errado.5- Quais são os símbolos do cristianismo?R: Os principais símbolos do cristianismo são: a cruz e as escrituras da bíblia.

COMO INICIAR UM PROJETO SOCIAL NA IGREJA?

 caridade é muito importante para melhorar a vida de pessoas que passam por problemas graves por falta de assistência. Mas, para fazer desse bom sentimento uma ação realmente transformadora, o melhor caminho é desenvolver projetos sociais e realizar uma ação social na igreja que vá de encontro com esses propósitos. Entretanto, não precisa se preocupar: tirar do papel as ideias que possam melhorar a vida de famílias inteiras pode ser mais simples do que você imagina.

Como iniciar uma ação social na igreja?

A responsabilidade de iniciar projetos sociais,é enorme. Envolver-se com a dor do outro demanda uma preparação psicológica e racional.

Isso porque, para realizar o bem, é preciso conhecer os males sociais de sua comunidade e pensar em ações para combatê-las. Pensando nisso, listamos 5 passos para iniciar uma ação social na igreja:

1- Oração

Antes de tomar qualquer medida, exercite aquilo que fará a conexão com Deus. Faça sua prece, ore e medite: entrar em contato consigo para que você fique mais leve e sensível para observar as oportunidades de ajuda que possam realmente impactar para melhorar a vida daqueles que estão à sua volta.

2- Converse com a sua comunidade

Na sequência, troque informações com as pessoas que frequentam a sua igreja. Neste exercício, você poderá perceber o interesse que elas têm para ajudar nessa missão. É importante ressaltar que, para tarefas tão importantes, é necessário contar com o engajamento voluntário.

3- Identifique necessidades

Considere fazer o levantamento de necessidades para que o projeto social a ser desenvolvido atue diretamente na solução de demandas do arredores da sua comunidade. Inclusive, isso ajudará a mensurar a efetividade da aplicação da ideia. Por exemplo: baixo interesse pela leitura ou falta de atividades de lazer para crianças, adolescentes e jovens.

4- Encontre soluções

Com o desafio bem claro, o próximo passo é analisar quais saídas são tecnicamente possíveis e financeiramente viáveis para serem colocadas em prática. Avalie criticamente se a solução proposta realmente reduzirá os problemas que foram listados no item anterior.

5- Conecte pessoas

Uma boa ideia e um propósito nobre é um ótimo começo. Mas, para a efetividade real dessa ação, concentre também suas energias em aproximar voluntários que possam contribuir na aplicação do projeto Uma ideia interessante é distribuir formulários simples na igreja, que perguntam sobre o interesse das pessoas em projetos sociais e a vontade de fazer parte deles.

7 projetos para aplicar na sua igreja

Apesar dos passos para iniciar uma ação social na igreja, nem sempre é possível identificar problemas em sua comunidade. As necessidades dos indivíduos são grandes e, se não houver um engajamento global para preenchê-las, os projetos sociais a serem criados podem ficar só na teoria.

Nesses casos, o mais indicado é multiplicar o amor ao próximo por meio de parcerias com instituições sérias e confiáveis, que já realizam um bom trabalho de amparo aos necessitados. Aliar-se às iniciativas de assistência social, por meio do atendimento e do acompanhamento espiritual, social e emocional da comunidade, é também uma forma de servir à sociedade, que é um dos papéis primordiais de qualquer igreja! Por isso, listamos alguns projetos que podem fazer parte da realidade da sua comunidade, como complementares à realização de uma ação social na igreja:

1- Doação de livros

Uma frente de ação que é realizada é a melhoria e ampliação do acervo de bibliotecas comunitárias ou de escolas públicas. O primeiro passo deve ser identificar essa necessidade na sua região (entrando em contato com esses órgãos).

Na sequência, entusiasme doadores de livros educativos (paradidáticos ou não), que estejam em bom estado. É possível recolher os itens você mesmo ou criar alguns postos de arrecadação (além da própria igreja, pode ser a padaria ou o mercado que fica no bairro). Faça um controle de tudo que foi arrecadado, entregue no estabelecimento e preste contas aos doadores.

2- Incentivo à música

Outro projeto social que costuma ter um bom reconhecimento nas igrejas é fomentar atividades culturais, como teatro e música, por exemplo. Você pode identificar profissionais que tenham habilidades nessa área para que sejam voluntários em oficinas junto à comunidade. Isso abre portas para aumentar a participação de jovens em atividades religiosas e desperta interesse em temas que talvez não tivessem cogitado antes!

3- Aprendizagem profissional

Algumas igrejas possuem espaço de sobra para oferecer aulas de aprendizagem profissional para pessoas sem qualquer formação. Nesse tipo de projeto, é preciso encontrar voluntários para dar mini-cursos de manicure, informática, bordado e outras atuações profissionais.

O ideal é fechar uma parceria com profissionais que já estão acostumados com projetos e que topem fazer parte da ação social da sua igreja. Além de ceder o espaço, você se torna responsável por organizar a agenda e divulgar a iniciativa para atingir aqueles que realmente precisam de uma formação profissional.

4- Auxílio a moradores de rua

Uma importante missão de líderes religiosos é dedicar atenção e cuidado à população que não tem teto para morar. Nesse sentido, você pode conduzir campanhas para arrecadação de agasalhos e alimentos.

Lembre-se de organizar a entrega dos itens em períodos regulares. Um ponto importante é identificar o telefone de centros que acolhem moradores de rua na região para incentivar a manutenção desses locais para continuarem mantendo profissionais que fornecem cuidados específicos.

5- Doação de alimentos

Um dos pontos que ainda desafiam a humanidade é a fome. Nesse sentido, você pode unir ações para reduzir o desperdício, o consumo consciente e a arrecadação de itens que possam ser distribuições em entidades, ou às famílias que sofrem da privação alimentar. O vínculo com uma entidade poderá favorecer o trabalho sistemático (dia de entrega e necessidades pontuais).

6- Amparo à família

Infelizmente, a realidade das famílias em situação de pobreza e exclusão é muito dura. Lidar com a falta de recursos está longe de ser o único problema.

Em muitos casos, por fazerem parte de um meio violento, as crianças e jovens se envolvem com práticas que não deveriam, como drogas, álcool e crimes. Entretanto, muitos projetos sociais que se destinam a amparar toda a família que se encontra nessa situação, oferecem escola de esportes para que as crianças passem menos tempo na rua, suporte psicológico aos pais e às crianças. Ou seja, se apresentam como projetos sociais muito completos!

7- Apadrinhamento financeiro de crianças

Fazer uma ação social na igreja envolvendo crianças é muito complexo, pois abraça uma série de cuidados para lidar com os direitos delas. Por isso, com as dificuldades de se fazer uma, pode ser muito benéfico se aliar a um projeto social sério.

Com isso, outra ação efetiva que tem crescido bastante no Brasil é o financiamento de projetos que investem no presente para termos um futuro melhor. Para isso, você pode mobilizar pessoas da sua igreja para, juntas, realizarem o apadrinhamento financeiro, de meninos e meninas que vivem em situação de extrema pobreza. O trabalho é feito por associações sociais de tradição e responsabilidade, que permitem o seu acompanhamento e a avaliação dos resultados sobre as doações feitas.

Se você quer ajudar e não encontrou ainda uma instituição confiável, sugerimos que conheça conheça alguns projetos, Aqui, nós contribuímos para transformar as vidas de muitas crianças e oferecer a elas a oportunidade de se tornarem jovens, adultos, pais e líderes, que poderão atuar gerando transformações positivas nas comunidades.

Exercite o amor de Jesus na prática: com projetos sociais, você poderá transformar toda sua caridade em ações efetivas para um melhor futuro para o nosso país. Inclua a ação social na sua igreja e contribua para melhorar a vida de outras pessoas.

CONCEITOS DE EXISTENCIALISMO:

O existencialismo é uma corrente filosófica que busca o conhecimento da realidade através da experiência imediata da própria existência. Não existe, no entanto, nenhuma teoria precisa ou exata que defina o que quer dizer existencialismo.

O que é dado por certo é que este movimento da filosofia destaca o ser, humano individual como criador do significado da sua vida. A temporalidade do sujeito, a sua existência concreta no mundo, é aquilo que constitui o ser e não uma suposta essência mais abstrata.

Martin Buber, Karl Jaspers, Jean Wahl, José Ortega, Gasset Martin Heidegger, Nikolai Berdyaev e Lev Shestov, Gabriel Marcel e Miguel de Unamuno são alguns filósofos que foram identificados como sendo existencialistas, contudo alguns acabaram por repudiam esse rótulo, tais como Camus e Heidegger.

Os existencialistas não concordam que o indivíduo seja uma parte de um todo. São antes da opinião de que cada ser humano é uma integridade livre por si mesma. A existência própria de uma pessoa (a sua vivência) é o que define a sua essência e não uma condição humana geral.

Por outras palavras, o ser humano existe a partir do momento em que é capaz de formular qualquer tipo de pensamento. O pensamento faz com que a pessoa seja livre: sem liberdade, não há lugar à existência.

Esta mesma liberdade faz com que o indivíduo seja responsável pelos seus atos. Há, por conseguinte, uma ética da responsabilidade individual. A pessoa deve assumir os atos que realiza no exercício da sua liberdade.

Os Franceses Jean-Paul Sartre (1905-1980) e Albert Camus (1913-1960) são dois dos grandes representantes do existencialismo. Esta corrente pode dividir-se em diversas escolas, nomeadamente o existencialismo teísta (reflete sobre a existência de Deus, e o Espírito), o existencialismo ateu (nega o divino) e o existencialismo agnóstico (considera que a existência de Deus é irrelevante para a existência humana).

Assim como os termos “empirismo” e “racionalismo”, o existencialismo pertence a história intelectual, desse modo, pode-se dizer que a definição do mesmo tem compatibilidade histórica.

Em meados de 1970, o existencialismo passou a ter sua imagem relacionada a algo clichê e, logo, sendo alvo de muitas paródias, especialmente em filmes e livros do escritor, cineasta e roteirista Woody Allen.

Por vezes, é descrito que o existencialismo trata-se apenas de um movimento do passado, ao invés de uma posição da filosofia que se possa identificar ou, mesmo, que esse é um termo cabível apenas a filosofia de Jean-Paul Sartre.

A existência humana passou a se tornar problema filosófico após Martin Heidegger que, por sua vez, teve influência para isso através dos filósofos Søren Kierkegaard e Friedrich Nietzsche. E ainda que esses dois tenham suas próprias explicações quanto ao tema,tais reflexões sobre isso tiveram início no ser humano no tocante a sua concretude.

Outro ponto, importante sobre o existencialismo é que ele estuda o ser humano no seu todo, ou seja, ele não fragmenta os fatos internos, como sentimentos, cognição, etc., e nem os externos, como ações, o corpo,etc. O que se conclui é que mesmo que os seres humanos tenham certas semelhanças com outros seres vivos ou mesmo objetos, são possuidores de consciência peculiar sobre suas ações e sobre o mundo que os rodeia.

DETERMINISMO QUAL O SEU SIGNIFICADO?

O que é Determinismo:

Determinismo é um conceito filosófico que diz serem todos os fatos baseados em causas, ou seja, todo o acontecimento é regido pela determinação, seja de caráter natural ou sobrenatural.

O termo determinismo surgiu a partir do verbo “determinar”, que vem do latim determinare que, literalmente, significa “não-terminar” ou “não-limitar”. Resumidamente, o determinismo é uma corrente de pensamento que defende a ideia de que as decisões e escolhas humanas não acontecem de acordo com um livre-arbítrio, mas sim através de relações de casualidade.

Tudo no universo, de acordo com o determinismo, está limitado a leis imutáveis, ou seja, todos os fatos e ações humanas são predeterminadas pela natureza, sendo a “liberdade de escolha” uma mera ilusão da vida.

Na Idade Moderna, o determinismo era utilizado como conceito para explicar o Universo, principalmente para tentar entender os fenômenos naturais. Segundo essa teoria, seria possível “prever” acontecimentos futuros se baseando em fatos atuais, pois toda a realidade estaria interligada por propósitos em comum; a realidade é fixa, ou seja, o que está previsto para acontecer, acontecerá.

Tipos de Determinismo

Foram criados diversos tipos de conceitos para o determinismo, a partir do modo como a casualidade e determinação são compreendidas:

  • Pré-determinismo: é considerado um determinismo mecanicista, isto é, a determinação das causas é colocada no passado, sendo os acontecimentos presentes e futuros causas de fenômenos explicados em condições iniciais do universo.
  • Pós-determinismo: é baseado na teleologia, estudo filosófico dos propósitos e finalidades. Este modelo de determinismo alega que a determinação dos fatos está no futuro, ou seja, tudo acontece de acordo com um propósito ou razão de alguma entidade divinal que não pertence ao universo humano; a “vontade de deuses”, por exemplo.
  • Co-determinismo: similar a Teoria do Caos, o co-determinismo defende o relação ocasional das causas como geradoras de novas realidades. Por exemplo, os efeitos de uma causa podem se transformar nas causas de outros efeitos, de uma realidade diferente das causas anteriores. Neste modelo, o determinismo é posto no presente ou na simultaneidade dos processos.

Determinismo e Liberdade

determinismo é alvo de muitas críticas entre os pesquisadores e filósofos que defendem o conceito de livre escolha e livre-arbítrio; uma não-casualidade.

Os críticos afirmam o seu ponto de vista alegando que o espírito, a alma, o desejo, a escolha e a vontade humana não coexistem no mesmo universo casual da natureza, portanto, não são regidos pelas mesmas leis imutáveis.

No entanto, os deterministas rebatem os críticos com o argumento de que estes ignoram o co-determinismo, ou seja, o conceito de que existem relações entre várias realidades diferentes, seja molecular, social, planetária, psíquica e etc.

Há outros estudiosos, como Nietzsche e Deleuze, que não interpretam o determinismo e a liberdade como contraditórios. A liberdade não seria “livre-arbítrio”, mas sim a capacidade de criação. Neste sentido, o “livre-arbítrio” seria apenas a escolha entre opções que já foram determinadas desde sempre, que já foram criadas. Assim sendo, este princípio (determinação já existente no passado) é característico do pré-determinismo.

QUAL O SIGNIFICADO DE FENOMENOLOGIA?

O que é Fenomenologia:

Fenomenologia é o estudo de um conjunto de fenômenos e como se manifestam, seja através do tempo ou do espaço. É uma matéria que consiste em estudar a essência das coisas e como são percebidas no mundo.

A palavra fenomenologia surgiu a partir do grego phainesthai, que significa “aquilo que se apresenta ou que se mostra”, e logos é um sufixo que quer dizer “explicação” ou “estudo”.

Na psicologia, a fenomenologia baseia-se em um método que busca entender a vivência dos pacientes no mundo em que vivem, além de compreender como esses pacientes percebem o mundo a sua volta.

O conceito da fenomenologia foi criado pelo filósofo Edmund Husserl (1859-1938), que também trabalhava como matemático, cientista, pesquisador e professor das faculdades de Göttingen e Freiburg im Breisgau, na Alemanha.

Fenomenologia de Husserl

De acordo com a fenomenologia de Husserl, todos os fenômenos do mundo devem ser pensados a partir das percepções mentais de cada ser humano. O filósofo queria que a filosofia pudesse ter as bases e condições de uma ciência rigorosa. No entanto, um método científico é determinado por ser uma “verdade provisória”, ou seja, algo que será considerado como verdadeiro até que um fato novo mostre o contrário, criando uma nova realidade.

Para que a filosofia não fosse considerada uma “verdade provisória”, Husserl sugere que a fenomenologia devia referir-se apenas às coisas como estão na experiência de consciência, e que devem ser estudadas por suas essências, eliminando os pressupostos do mundo real e empírico de um objeto da ciência.

Para exemplificar o pensamento da fenomenologia de husserl, imagina-se um quadrado, como forma geométrica. Esse quadrado, não importa o tamanho que tenha, seja grande ou pequeno, sempre será um quadrado em essência na mente de um indivíduo.

Fenomenologia do espírito

A “Fenomenologia do Espírito” (“Phänomenologie des Geistes“, título original) é uma obra escrita pelo filósofo alemão Gerog Wilhelm Friedrich Hegel, que aborda o processo de formação da consciência humana.

De acordo com Hegel, os conflitos dos desejos ou com outras consciências, modifica o modo de pensar de um indivíduo, a partir de um conjunto de experiências sociais.

Segundo o livro, para que se consiga chegar a verdade, o indivíduo deve assimilar as transformações das coisas e ideias que o rodeia.

CUIDADO COM QUEM VOCÊ FAZ ALIANÇA? TEXTO:( 1″ CORÍNTIOS 6:1-20).

Como já dissemos, Coríntios foi escrita para, principalmente, combater a rebeldia, as divisões e a falta de amor que tinham sido causadas pelo orgulho e pela presunção na igreja de Corinto. Estamos vendo a parte II, cap. 6/16.Breve síntese do capítulo 6.Julgaremos o mundo e os anjos e não haveremos de julgar as coisas desta vida? Assim Paulo fala e exorta os Coríntios que não julgaram aquele que cometera tão grande ato de pecado. Paulo ficou indignado porque além de não julgarem o malfeitor, ainda assim estavam levando os casos aos tribunais terrestres.Ele chega a dizer que melhor seria para nós sofrermos antes o dano do que expor ao vitupério o caminho que estamos seguindo. Pior ainda é o fato de haver demandas entre nós. No lugar delas é preferível sofrer por amor aos irmãos tanto o dano quando a injustiça. Sabemos que haverá justiça porque seguimos a justiça, mas no presente muitas injustiças estão se passando sem que se faça algo. Aquele que vê e consente com a injustiça e nada faz é covarde e Paulo nos diz o lugar do covarde.Os injustos não herdarão o reino de Deus e os covardes? Também não. Se nos falta coragem, ousadia e sabedoria para discernirmos e agirmos com justiça, peçamos a Deus que nada nos improperará.Vejamos o presente capítulo com mais detalhes, – continuação.Dos vs. 1.10 ao 6.20, estamos vendo esse relatório feito pelos da casa de Cloe. Paulo volta a sua atenção para algumas questões que haviam sido relatadas a ele “pelos da casa de Cloe” (1.11). Ele tem duas preocupações principais, que formarão nossas divisões, seguindo a BEG: A. Divisões na igreja (1.10-4.21); B. Problemas morais e éticos (5.1-6.20).B. Problemas morais e éticos (5.1-6.20) – continuação.Até ao capítulo 6.20, estamos vendo os problemas morais e éticos. Além de fomentar divisões, a arrogância dos coríntios havia gerado vários problemas morais e éticos, segundo o relatório dos da casa de Cloe. Paulo trata de três questões que são, exatamente, as nossas divisões propostas, conforme (5.1-13) – já vimos; 2. Litígios (6.1-11) – veremos agora; e, 3. Imoralidade sexual (6.12-20) – veremos agora.2. Litígios (6.1-11).A família de Cloe relatou que havia processos judiciais entre cristãos. Paulo considerou esse problema como uma questão de corrupção muito séria dentro da igreja.Paulo parece mudar de assunto, passando da questão da imoralidade para o litígio entre cristãos. Contudo, precisamos perceber algumas ligações importantes entre essas questões.Em primeiro lugar, Paulo volta a falar sobre a imoralidade (embora de um modo diferente) em 6.9. Logo, não considerou encerrado esse assunto.Além disso, o litígio entre os coríntios era uma extensão do mesmo problema discutido no cap. 5: a doutrina deficiente da igreja.Assim como os cristãos não têm autoridade para regular a vida dos ímpios, do mesmo modo os ímpios não têm autoridade para regular a vida da igreja. Caso os coríntios tivessem compreendido a ligação entre a comunidade israelita e a igreja cristã, teriam percebido o absurdo de cristãos buscarem resolver seus problemas fora da igreja. Quem consegue imaginar um gentio pagão julgando questões entre os israelitas no deserto?O sarcasmo de Paulo volta a ficar evidente, principalmente quando pergunta se não haveria entre os coríntios nenhum sábio. Os coríntios, que se orgulhavam tanto de sua sabedoria (4.10), preferiam resolver as suas disputas diante de juízes ímpios, ao invés de cristãos.O disparate da situação em Corinto fica mais claro quando se percebe que os cristãos, por ocasião da consumação da História (e não agora; 5.12-13), participarão com Cristo não apenas do julgamento dos ímpios, mas também dos anjos perversos.Paulo faz uma pergunta importante no vs. 7, por que não sofreis, antes, o dano? Sem dúvida, a questão não é que os cristãos devem perdoar os abusos cometidos uns contra os outros ou que devem se submeter às injustiças que outros cristãos cometem.A recomendação para a parte lesada sofrer as consequências pode indicar que Paulo estava se referindo a casos de menor importância que não tinham grande impacto individual ou familiar.Do contrário, outros princípios bíblicos, como a responsabilidade familiar, teriam sido mencionados aqui. O fato de que havia fraudes e injustiça entre os membros da igreja de Corinto demonstra o quanto eles haviam decaído.Um dos princípios recorrentes da Escritura é afirmar que as coisas do mundo são incompatíveis com o reino de Deus (15.50; GI 5.21). Contudo, isso levanta a questão de como alguém pode vir a ser salvo, uma vez que todos são pecadores.Paulo oferece uma resposta dupla: por um lado, Deus se agrada em justificar o ímpio (Rm 4.5); e por outro, Deus santifica aqueles a quem justifica (Rm 6.1-4). Paulo tinha a esperança de que a maioria dos membros da igreja visível de Corinto fosse de cristãos verdadeiros que haviam sido justificados em nome de Cristo, e que a imoralidade deles nesse momento era uma anomalia que podia e devia ser corrigida.A persistência no erro seria uma evidência – e não uma prova de fato – de que a fé que eles professavam era falsa.

“A perseverança e a preservação dos santos”, em Fp 1.Paulo vai citar os que não entrarão no reino dos céus, nem mesmo podem entrar e a lista é grande: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem sodomitas – no grego, homossexuais passivos ou ativos, respectivamente -, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoólatras, nem caluniadores, nem trapaceiros.Ele fala que assim desse mesmo jeito, foram alguns deles, mas agora não são mais, pois foram lavados, santificados e justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito de nosso Deus – vs. 11. Também, em Tt 3.3. Imoralidade sexual (6.12-20).

A cidade de Corinto era bastante conhecida pela sua prostituição religiosa e Paulo trata do problema da imoralidade sexual de modo abrangente e direto.Ao dizer que todas as coisas lhe eram lícitas, mas nem todas convinham, Paulo parece estar citando palavras de outras pessoas, provavelmente um provérbio popular que os moradores de Corinto utilizavam para justificar seu comportamento imoral.Sua resposta sugere que, ainda que houvesse alguma verdade nesse provérbio, os coríntios haviam distorcido o significado dele.Na verdade, os argumentos de Paulo refutaram o propósito para o qual esse ditado era utilizado em Corinto. Em vez de permitir fazer qualquer coisa com o corpo, Paulo enfatiza o propósito nobre para o qual Deus o criou.Ele faz uma comparação excelente ao dizer que os alimentos foram feitos para o estômago e este para os alimentos e da mesma forma, nosso corpo não é para a imoralidade, mas para o Senhor e o Senhor para o corpo. No caso específico do alimento e do estômago, ambos serão destruídos depois.Pelo seu grande poder, Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará a nós – vs. 14. Como indicam os vs. 15-17, Paulo lembra os coríntios de que a salvação em Cristo não inclui apenas a ressurreição da alma, mas também do corpo. fato,que ocorrerá no retorno de Cristo, tem implicações para a nossa vida hoje. Muitos coríntios tinham uma visão errônea do corpo físico por causa da influência dos filósofos gregos.Devido a uma teologia deficiente, alguns consideravam as relações sexuais como algo intrinsecamente pecaminoso, pois envolviam as paixões físicas (7.1-5).No entanto, o problema aqui parece ser exatamente o oposto: alguns coríntios encaravam a promiscuidade sexual algo bem aceitável, pois pensavam que a participação do corpo, por não ter valor intrínseco, não acarretava consequências para a vida espiritual.Paulo esclarece isso dizendo que nossos corpos são membros de Cristo. A doutrina da união do cristão com Cristo é um dos ensinamentos principais do apóstolo Paulo.Esse versículo indica que essa união se estende até mesmo ao corpo físico do cristão (veja Rm 12.1). Portanto, os coríntios estavam enganados ao pensar que a união com uma prostituta era algo sem importância por envolver apenas o corpo físico.Reparem que quem se une a uma prostituta, forma um só corpo com ela e o que se une com o Senhor é um espírito com ele – vs. 16, 17.O contraste em questão não é que a união com Cristo é espiritual enquanto a união com a prostituta é física. Paulo já havia salientado no vs. 15 que a união com Cristo também se aplica ao corpo, como desenvolve mais adiante nos vs. 18-20.Em vista do vs. 19, a palavra “espírito” no vs. 17 provavelmente deveria começar com letra maiúscula. Todos os cristãos estão unidos (de corpo e alma) a Cristo por meio do Espírito Santo e essa união impede que o cristão ofereça o seu corpo à prostituição.Caso a condenação dessa prática se refira especificamente às pessoas que se prostituíam no templo da deusa Afrodite, tornaria ainda mais evidente as implicações religiosas da imoralidade dos coríntios (10.20).O conselho básico e sábio nessa hora era para FUGIR da imoralidade sexual. Paulo então comenta que qualquer outro pecado é fora do corpo, mas o pecado sexual é feito contra o próprio corpo.O significado dessa passagem “pecado fora do corpo” tem sido questionado. Sem dúvida há muitos outros pecados que afetam o corpo do cristão. Embora alguns desses pecados sejam mais repulsivos do que outros, o cristão não deve pensar que um irmão que tenha caído nessa área está fora do alcance do perdão.Todavia, o ensino de Paulo deixa claro que a união física imoral traz consequências específicas porque corrompe o templo do corpo, assim como a idolatria corrompe o templo de adoração. Logo, esse pecado corrompe a identidade cristã de quem foi unido a Cristo por meio do Espírito Santo. É interessante observar que a proibição nesse versículo (“Fugi da impureza”) é expressa na mesma linguagem que o mandamento contra a idolatria (10.14).Aqui, no vs. 19, Paulo faz uma revelação interessante: nosso corpo é santuário do Espírito Santo. Paulo caracteriza o conceito de igreja como o novo templo onde Deus habita. Embora o cristão precise compreender o caráter pessoal do relacionamento com o Espírito Santo que habita nele, também é preciso lembrar que a ênfase da Escritura como um todo está na identidade corporativa do povo de Deus como templo santo e casa espiritual (Ef 2.19-22; 1 Pe 2.4-5).I Co 6:1 Aventura-se algum de vós,                tendo questão contra outro,                               a submetê-lo a juízo perante os injustos                               e não perante os santos?I Co 6:2 Ou não sabeis                que os santos hão de julgar o mundo?Ora, se o mundo deverá ser julgado por vós,                sois, acaso, indignos de julgar as coisas mínimas?                               I Co 6:3 Não sabeis que havemos de julgaros próprios anjos?                                               Quanto mais as coisas desta vida!I Co 6:4 Entretanto, vós, quando tendes a julgar negócios terrenos,                constituís um tribunal daquelesque não têm nenhuma aceitação na igreja.                               I Co 6:5 Para vergonha vo-lo digo.                                               Não há, porventura, nem ao menosum sábio entre vós,                                                               que possa julgar no meio da irmandade?                               I Co 6:6 Mas irá um irmão a juízo contra outro irmão,                                               e isto perante incrédulos!I Co 6:7 O só existir entre vós demandas                já é completa derrota para vós outros.Por que não sofreis, antes, a injustiça?Por que não sofreis, antes, o dano?                I Co 6:8 Mas vós mesmos                               fazeis a injustiça                               e fazeis o dano,                               e isto aos próprios irmãos!I Co 6:9 Ou não sabeis que os injustos                não herdarão o reino de Deus?Não vos enganeis:                nem impuros,                nem idólatras,                nem adúlteros,                nem efeminados,                nem sodomitas,                I Co 6:10 nem ladrões,                nem avarentos,                nem bêbados,                nem maldizentes,                nem roubadores herdarão o reino de Deus.I Co 6:11 Tais fostes alguns de vós;                mas vós vos lavastes,                mas fostes santificados,                mas fostes justificados                               em o nome do Senhor Jesus Cristo                               e no Espírito do nosso Deus.I Co 6:12 Todas as coisas me são lícitas,                mas nem todas convêm.Todas as coisas me são lícitas,                mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.I Co 6:13 Os alimentos são para o estômago,e o estômago, para os alimentos;                mas Deus destruirá tanto estes como aquele.Porém o corpo não é para a impureza,                mas, para o Senhor,                               e o Senhor, para o corpo.I Co 6:14 Deus ressuscitou o Senhore também nos ressuscitará a nós pelo seu poder.I Co 6:15 Não sabeis que os vossos corpos                são membros de Cristo?                               E eu, porventura, tomaria os membros de Cristo                                               e os faria membros de meretriz?                                                               Absolutamente, não.I Co 6:16 Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta                forma um só corpo com ela?                               Porque, como se diz,                                               serão os dois uma só carne.I Co 6:17 Mas aquele que se une ao Senhor                é um espírito com ele.I Co 6:18 Fugi da impureza.Qualquer outro pecado que uma pessoa cometer                é fora do corpo;                               mas aquele que pratica a imoralidade                                               peca contra o próprio corpo.I Co 6:19 Acaso, não sabeis que o vosso corpo                é santuário do Espírito Santo,                                que está em vós,                                               o qual tendes da parte de Deus,                                               e que não sois de vós mesmos?I Co 6:20 Porque fostes comprados por preço.                Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo.Quem se une ao Senhor é um com ele, assim como quem se une à sua esposa e é um com ela e assim, também, como quem se une à prostituta ou a outros tipos de uniões e ambos serão um só corpo.Com quem estamos nos unindo para sermos um só? Com Deus e com aqueles que ele aprova ou estamos em união com o diabo? Se estamos e somos um com o diabo, qual será o nosso fim? Fugi da impureza é o conselho sábio do apóstolo Paulo!

METAPSICOLOGIA E INDISPENSÁVEL NO EXERCÍCIO DA PSICANÁLISE:

Palavras-chave: 

Psicanálise, metapsicologia, inconsciente, especulação

A aparente contradição contida no discurso freudiano, que, por um lado, afi rma a procedência exclusivamente empírica da Psicanálise
e, por outro, reconhece a presença de especulação em seu interior, enseja a questão central do presente artigo: que importância tem
a Metapsicologia – a teoria especulativa de Freud – para o empreendimento psicanalítico? A afi rmação da proveniência empírica
da Psicanálise perde sua força, principalmente, sob a consideração da infl uência que o pensamento hegemônico à época de Freud
exerceu sobre seu discurso epistemológico. Em contrapartida, os desenvolvimentos sobre a Metapsicologia e sobre suas relações com
a Metafísica reforçam a hipótese de que a Metapsicologia é indispensável ao exercício da Psicanálise. Tudo indica, com efeito, que a
teoria metapsicológica repousa sobre a suposição – inverifi cável empiricamente – da existência do inconsciente, justamente o objeto
ao qual se voltam a investigação e a prática analítica. O caráter especulativo do inconsciente não exclui, contudo, a vinculação
da Psicanálise à experiência, pois a suposição desse objeto é o principio que orienta o exercício da clínica analítica e propicia as
manifestações

ACONSELHAMENTO PARA PACIENTE EM FASE TERMINAL:

O que é um paciente terminal?

A conceituação do que seja paciente terminal às vezes é uma tarefa complexa e difícil de ser estabelecida. Mesmo assim, com certa frequência nos deparamos com avaliações consensuais de diferentes profissionais. Uma doença terminal é uma doença ou condição que não pode ser curada e que pode levar à morte de alguém. Um paciente é dito terminal quando não há mais chance de resgate das condições anteriores de saúde e a possibilidade de morte a curto prazo parece inevitável e previsível. Assim, a previsão de terminalidade da vida parece ser o eixo central do conceito.

O que caracteriza um paciente como terminal?

Alguns critérios que levam em conta as condições pessoais do paciente, como dados clínicos e exames laboratoriais, de imagens, funcionais, anatomopatológicos, etc. procuram tornar esse momento mais objetivo e preciso.

Admitir que os recursos para cura do paciente se esgotaram, contudo, não significa que não há mais o que fazer. Pelo contrário, cria-se uma nova perspectiva de trabalho, multidisciplinar, que é chamada de cuidados paliativos, São necessárias condutas visando o alívio da dor, a diminuição do desconforto, garantir que o paciente seja acompanhado por alguém que deseje e por fim deixá-lo morrer com dignidade.

Quais são as doenças que podem se tornar terminais?

A priori, não existe uma lista definida de doenças terminais, mas algumas doenças que podem vir a ser terminais incluem:

  • o câncer avançado;
  • a demência, incluindo Alzheimer;
  • a doença do neurônio motor;
  • esclereose lateral, amiotrofobica,
  • Doença pulmonar obstrutiva crônica,em fase avançada;
  • Doença neurológica , como parkson;
  • doença cardíaca avançada.

Essas doenças, como todas as demais, têm um aspecto qualitativo, dado pelo rótulo de diagnóstico, mas comportam um outro aspecto, quantitativo, que ajuda a determinar o grau de gravidade delas e, assim, seu potencial evolutivo. Ademais, pacientes que aparentemente estão passando por situações terminais podem ter recuperações surpreendentes que desmentem todas as previsões mais bem fundamentadas.

As pessoas com doenças terminais podem viver dias, semanas, meses ou às vezes anos. Em alguns casos, a condição da pessoa piora gradualmente à medida que a doença progride. Em outros, as pessoas até chegam a se sentirem transitoriamente melhores.

É difícil para um médico prever quanto tempo um paciente específico viverá. No máximo, ele pode falar em média. O tempo de vida que resta a cada um depende de uma grande variedade de fatores difíceis de ponderar, como condições pessoais, diagnóstico e tratamentos que possam estar recebendo, etc. A condição de estar num momento terminal é uma experiência única; não existem duas experiências iguais.

Como é o processo de encarar a morte?

Segundo Elizabeth Kübler-Ross, uma pioneira em descrever as reações emocionais de uma pessoa em vista da aproximação da morte inevitável, as reações individuais são muito dependentes de um aprendizado cultural, mas existem certas fases pelas quais passam todas as pessoas. Estas fases são como mecanismos de defesa para enfrentar o fato da morte. São: (1) negação; (2) raiva; (3) barganha; (4) depressão e (5) aceitação.

Na fase de negação, o paciente se recusa a acreditar na realidade ou elabora teorias esdrúxulas para negar os fatos. Por exemplo, desconfia que os seus exames foram trocados ou põe em questão a competência da equipe de saúde que o assiste.

Na fase da raiva surgem sentimentos de ira e revolta, que se propagam em todas as direções, projetando-se no ambiente, muitas vezes, sem uma razão plausível.

Já na fase de barganha, com Deus ou o Destino, o doente faz promessas de trocar algum tipo de sacrifício por um prolongamento da sua vida.

A depressão mostra um alheamento ou estoicismo (resignação para suportar a desgraça e a adversidade), com um sentimento de grande perda.

Enfim, a aceitação é aquela fase em que o paciente passa a se dar conta de sua verdadeira situação. O paciente encontra uma certa paz e o seu espectro de interesses nas coisas mundanas diminui muito.

Não há uma ordem fixa para a ocorrência dessas manifestações, tão pouco uma sequência cronológica obrigatória, sendo que o paciente pode vivenciar mais de uma dessas fases concomitantemente, num mesmo período, ou até mesmo não vivenciar algumas delas. A negação, por exemplo, pode durar todo o tempo e a aceitação pode nunca ocorrer, e os pacientes manterem até o fim um conflito com a morte.

O que é notável, contudo, é que, em geral, não há reações de desespero nem reações inusitadas diante de enfermidades incuráveis e potencialmente letais.

A questão da eutanásia

Alguns pacientes morrem calmamente. Apenas “apagam”. Têm uma “boa” morte, por assim dizer. Outros, em seus momentos derradeiros experimentam sofrimentos atrozes, como grandes dores e sofrimentos. É nesse contexto que se coloca a questão da  Eutanásia (do grego: eu = boa + tanatos = morte) é o ato intencional de proporcionar a alguém uma morte indolor para aliviar o sofrimento causado por uma doença incurável ou dolorosa.

Geralmente a eutanásia é realizada por um profissional de saúde mediante pedido expresso da pessoa doente. No Brasil, a eutanásia é considerada como crime de homicídio, uma vez que, em nossa Constituição, a vida é vista como um direito inviolável. Se assim acontecer, o ato é entendido como “homicídio privilegiado”, podendo haver a redução da pena em um sexto ou um terço de acordo com a decisão do juiz. Em alguns países, como Holanda e Bélgica, por exemplo, a eutanásia é permitida, desde que o próprio paciente, em perfeitas condições de lucidez, expresse essa vontade.

ACONSELHAMENTO NUTRICIONAL PARA IDOSO:

INTRODUÇÃO: a principal causa de morte em todo o mundo é a doença cardiovascular.
OBJETIVO: demonstrar a importância do aconselhamento nutricional para tratamento de dislipidemias em idosos, ressaltando-se os benefícios das intervenções dietéticas sobre a saúde cardiovascular, de forma a estimular estratégias e difundir esse importante recurso terapêutico.
MÉTODO: pesquisa realizada a partir de bancos de dados, biblioteca virtual, livros técnicos e publicações de órgaos nacionais e internacionais, Organização Mundial de Saúde, Sociedade Brasileira de Cardiologia e Ministério da Saúde, de 2000 a 2007, limite de idade 60 anos ou mais. Foram usados os descritores dislipidemia ou dislypidemia, aconselhamento nutricional ou nutrional counseling e idoso ou elderly, totalizando 18 artigos, com inclusão de uma metanálise, sendo nove artigos de revisão bibliográfica e nove de resultados.
RESULTADO: a recomendação para se manter saudável é o equilíbrio entre o consumo de calorias ingeridas e o gasto energético. Recomendações específicas são: consumir alimentação com baixo teor de açúcar e sal; aumentar o consumo de fibras e soja; manter peso corporal ideal; praticar atividade física regularmente; não usar cigarro; controlar estresse e consumo de álcool; e manter na normalidade o perfil lipídico, pressão arterial e glicemia. Duas diretrizes americanas e brasileiras são as proposições mais amplas de aconselhamento nutricional para dislipidêmicos.
CONCLUSÃO: a adoção de alimentação e de estilo de vida saudáveis é medida essencial para reduzir a incidência de doenças cardiovasculares. Essas recomendações, quando adotadas, reduzem substancialmente o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

As dislipidemias, mais especificamente a hipercolesterolemia, contribuem para a etiologia da aterosclerose, doença crônica que representa a principal causa de morte e incapacidade na população idosa, tanto no Brasil quanto no mundo.1,2

O início da doença aterosclerótica se dá na infância e adolescência e é influenciada pelo estilo de vida e fatores genéticos. Trata-se de enfermidade crônica, com importantes períodos inflamatórios associados a episódios de agudização; entretanto, é passível de adequada modulação de sua progressão.3 Para o desencadeamento e evolução do processo aterosclerótico, contribuem vários fatores, entre eles as hiperlipidemias – em destaque a hipercolesterolemia.4

Os níveis séricos de lípides devem ser determinados rotineiramente em crianças a partir dos 10 anos de idade, mesmo que não apresentem fatores de riscos clássicos para doenças ateroscleróticas, ou em qualquer idade, se apresentar antecedentes pessoais, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus, parentes de primeiro grau com doença aterosclerótica precoce ou sinais clínicos de dislipidemias ou dislipidemias graves (colesterol total > 300 mg/dL e/ou triglicérides > 400 mg/dL).5

Mudanças no metabolismo dos lípides têm implicações diretas na fisiopatologia da aterosclerose. Taxas de lípides plasmáticos elevam-se com a idade, particularmente LDL-c e colesterol total. Indivíduos acima de 65 anos têm mais riscos de mortalidade coronariana atribuída à hipercolesterolemia. Nestes, ocorrem diminuição da absorção intestinal de colesterol, diminuição do fracionamento catabólico de LDL circulante, menor expressão de receptores de LDL, redução da atividade da lipase hepática e aumento de LDL-c. Ainda, nos mais idosos, verificam-se diminuição de ácidos biliares e da síntese de esteroides fecais, reduzida síntese de colesterol e turnover retardado do colesterol.6

Segundo o estudo de Framingham7, a hipercolesterolemia nos idosos é mais prevalente em mulheres do que em homens, sendo mais frequente na faixa etária de 65 a 74 anos, declinando após 75 anos.

Em idosos o tratamento não medicamentoso das dislipidemias constitui sempre o passo inicial da intervenção. Manutenção do peso corpóreo, restrição de bebidas alcoólicas, suspensão do tabagismo e prescrição de atividade física regular são fundamentais para alcançar as metas desejadas.8 Especialmente entre idosos devem-se atentar para a manutenção do aporte nutritivo necessário, inclusive proteico, e também para os fatores que alteram o consumo alimentar, pois são de reconhecido risco para o desenvolvimento da má nutrição.8,9

Em estudo realizado por King et al.10, foi possível observar a importância do estilo de vida para a saúde de adultos e idosos. Foram acompanhadas 15.792 pessoas entre 45 e 64 anos por quatro anos, a fim de verificar os benefícios de um estilo de vida saudável para aqueles que o adotavam tardiamente. Os resultados evidenciaram que, mesmo naqueles que fizeram mudanças recentes, tais como consumir cinco porções diárias de frutas e vegetais, exercitar-se pelo menos duas horas e meia por semana, manter peso adequado e não fumar, o risco de problemas cardíacos reduziu-se em 35% e o risco de morte em 40%, em comparação com pessoas com estilos de vida menos saudáveis. O benefício ocorreu mesmo com alterações modestas, sendo proporcional à quantidade de hábitos saudáveis adotados.10

Instrumentos para orientação nutricional de indivíduos e grupos populacionais, respeitando hábitos alimentares e diferentes realidades regionais e institucionais, têm sido propostos. No Brasil, ressaltam-se dois instrumentos: a Pirâmide Alimentar e a Diretriz Brasileira sobre Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose. A “Pirâmide Alimentar adaptada: Guia para Escolha dos Alimentos”11 foi construída a partir da pirâmide alimentar americana e adaptada à população brasileira. Os alimentos são distribuídos em oito grupos: cereais, frutas, vegetais, leguminosas, leite, carnes, gorduras e açúcares, de acordo com a distribuição de cada nutriente básico na dieta. Propoem-se três dietas-padrao, uma com 1.600 kcal indicada para mulheres sedentárias e idosos; outra contendo 2.200 kcal para crianças, adolescentes do sexo feminino, mulheres com atividade física intensa e homens sedentários; e outra com 2.800 kcal para homens com atividade física intensa e adolescentes do sexo masculino. A distribuição dos macronutrientes é: 50 a 60% de carboidratos, 10 a 15% de proteínas e 20 a 30% de lipídeos.11

Outro importante instrumento de orientação nutricional é a IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose, publicada em abril de 2007. Essa diretriz incorpora os resultados dos estudos clínicos publicados desde 2002, sendo um guia de conduta no tratamento e prevenção dos pacientes dislipidêmicos.8

Diante da perspectiva da importância do aconselhamento nutricional para o tratamento de dislipidemias entre idosos, esta revisão da literatura objetiva discutir o aconselhamento nutricional voltado para idosos, destacando-se os benefícios das intervenções dietéticas sobre a saúde cardiovascular, de forma a estimular estratégias e difundir esse importante recurso terapêutico.

A presente revisão bibliográfica foi realizada a partir da pesquisa em bancos de dados – MEDLINE e LILACS – livros técnicos e publicações de órgaos nacionais e internacionais. Para a pesquisa nos bancos de dados, utilizaram-se os descritores: “dislipidemia ou dislypidemia, aconselhamento nutricional ou nutrional counselling e idoso ou elderly, limite de idade de 60 anos ou mais e período de publicação de 1987 a 2007, durante o qual foi observado significativo aumento da população de idosos.12,13 Foram selecionados 29 artigos e publicações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) do Ministério da Saúde do Brasil (MS).

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os artigos revisados referem-se ao período de 2000 a 2007, sobre intervenção nutricional relacionada à prevenção de doenças cardiovasculares (Tabela 1).

Os artigos analisados totalizaram 18 sobre adultos e idosos, com inclusão de uma metanálise, sendo nove de revisão bibliográfica e nove de resultados. Os estudos realizados em diversos países do mundo envolveram diferentes tamanhos de amostras, sendo os de menor tamanho de amostra com 71 participantes e o de mais alto número, 32.650 indivíduos.

Vários autores ressaltaram a importância do aconselhamento nutricional, representando como um dos componentes fundamentais a redução do risco de doença cardiovascular.2,8,14-21,23-29

Diversos estudos demonstraram associação entre consumo reduzido de gordura, principalmente saturada e gordura-trans, e a menor ocorrência de agravos de doenças cardiovasculares.2,8,14-21,23-29

Os valores indicados para a ingestao de gordura total foram de 30% da energia total e o colesterol diário de 300 mg, sendo 10% de gordura saturada e 1,0 g ou mais de gordura poli-insaturada, o que pode reduzir até 29% a mortalidade.14,15

Por outro lado, o consumo de frutas, verduras, o aumento no consumo de potássio, nutrientes antiantioxidantes, ácido fólico, cálcio, vitamina D, flavanoides e ômega três (W3) e a redução da ingestao de sal para 6 g/dia diminuem até 73% a chance do paciente que já teve um infarto vir a ter outro.14 Além de frutas e verduras, os indivíduos também devem consumir graos, produtos lácteos com baixo teor de gordura, carnes de aves e peixes duas vezes por semana, restringir consumo de bebidas alcoólicas em duas doses diárias para os homens e uma dose para as mulheres, não ingerir alimentos ricos em açúcares simples e manter a pressão arterial e o peso em níveis desejáveis.15

Hooper et al.17,26 relataram que a suplementação diária com W3 (0,5-1,0 g/dia) ou duas a três porções de peixe (200-400 g), ingestao de frutas, vegetais, comidas frescas e diminuição de gordura total ou saturada substituída por gordura insaturada (óleo de oliva) protegem contra os problemas cardiovasculares. Hooper et al17 afirmaram que o álcool, o chá e o café também auxiliam a prevenir as doenças cardiovasculares. Além disto, o aconselhamento nutricional e a perda de peso foram propostos como parâmetros para prevenir eventos adicionais em indivíduos com doenças cardiovasculares.26

Franco et al.25 propuseram dieta denominada polymeal (polirrefeição), recomendação dietética diária composta de nutrientes com o objetivo de beneficiar a saúde cardiovascular. O cardápio de alimentos funcionais foi composto de hortaliças e frutas (400 g/dia), peixes (114 g/dia: quatro vezes por semana), amêndoas (68 g/dia), vinho (150 ml/dia), alho (2,7 g/dia) e chocolate amargo (100 g/dia), sendo um cardápio tido como capaz de reduzir até 75% do risco cardiovascular.

Reynolds et al.28 concluíram, após discutirem 41 artigos, que a substituição de gorduras totais, gorduras-trans e colesterol por proteína de soja tem efeito benéfico contra doenças coronarianas. Além disto, a suplementação com proteína de soja e isoflavona reduziu lipídios séricos entre indivíduos adultos com ou sem hipercolesterolemia.

Kondo et al.16 destacaram estreita correlação entre os compostos polifenóis do vinho tinto, chá, vegetais muito vermelhos e a inibição da oxidação do LDL-c. Descreveram em sua revisão que tanto o vinho tinto quanto as bebidas alcoólicas inibiam a oxidação do LDL-c, podendo reduzir a aterosclerose, sendo, talvez, os compostos do chá verde japonês, ricos em polifenóis, também protetores contra a oxidação do LDL-c. Além disto, preconizaram que 19 mg/dia ou mais de flavanoides em idosos poderiam reduzir o risco de doenças cardiovasculares e alimentos como maça, chá preto e cebola contribuiriam para a redução da oxidação lipídica.

Rosner et al.29 demonstraram que quatro xícaras por dia ou cinco copos por semana de café não têm efeitos associados ao risco de doença do miocárdio. Sugerem, também, que o café fervido tem mais substâncias lipídicas e hipercolesterolêmicas, devido ao cafestol e kahweol, do que o café coado em filtro de papel, no qual essas substâncias são retidas.

Apesar dos artigos ponderarem acerca de vários fatores relacionados às dislipidemias, as Diretrizes sobre Prevenção de Aterosclerose americanas e brasileiras são as proposições mais amplas de aconselhamento nutricional para dislipidêmicos. A Expert Panel on Detection, Evaluation, and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults NCEP2 e a IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemia e Prevenção de Aterosclerose8 recomendam calorias ajustadas ao peso desejável, consumo de proteínas de aproximadamente 15% das calorias totais, ingestao de carboidratos de 50 a 60% das calorias totais e gorduras de 25 a 35% das calorias totais. Em relação à ingestao do colesterol diário, as duas diretrizes propoem que o consumo dietético deve ser inferior a 200 mg/dia. Quanto ao tipo de gordura, o NCEP2 estabelece que os ácidos graxos saturados devem constituir menos de 7% das calorias totais, ao passo que os ácidos graxos poli-insaturados devem perfazer 10% e os monoinsaturados completar as calorias totais.

A IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemia e Prevenção de Aterosclerose8 sugere que os ácidos graxos saturados devem constituir 7% ou menos das calorias totais e os ácidos graxos poli-insaturados 10% ou menos das calorias totais e que as quantidades de ácidos graxos monoinsaturados devem ser inferiores ou iguais a 20% das calorias totais. Esta Diretriz indica, ainda, 20 g/dia a 30 g/dia de ingestao de fibra alimentar para os adultos, mas em torno de 25% (6 g) devem ser de fibra solúvel, não fazendo diferenciação para os idosos.8 O NCEP2 recomenda dieta com 5 g/dia a 10 g/dia de fibra solúvel para reduzir o LDL-c aproximadamente 5%, sendo que a ingestao de 10 g/dia a 25g/dia pode ser ainda mais benéfica.

As duas diretrizes mencionam a ingestao dos fitoesteróis, mas diferem na sua recomendação. A IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemia e Prevenção de Aterosclerose8 estabelece a ingestao de 3 a 4 g/dia de fitosteróis, podendo ser utilizados como adjuvantes no tratamento hipolipemiante. Já o NCEP2 especifica consumo menor, de 2 g/dia, o que pode ser alcançado com a ingestao de 20 g de margarina enriquecida com fitosteróis.

A soja também tem a sua participação no NCEPcomo substituição adequada de fonte de proteína animal rica em gorduras. Na Diretriz Brasileira8, aconselha-se o consumo de produtos que contenham na composição por 100 g o mínimo de 6,25 g de proteína de soja e que possuam reduzido teor de gordura total (< 3 g), gordura saturada (< 1 g) e colesterol (20 g).

As duas diretrizes consideram aceitável o consumo de até duas doses de bebidas alcoólicas para homem e de uma dose para mulheres, mas não encorajam o início do consumo regular dessa substância. No entanto, a brasileira8 não recomenda o consumo de álcool na prevenção e no tratamento da aterosclerose e as duas fazem restrição total ao consumo de álcool entre os indivíduos com hipertrigliceridemia.

Ambas as diretrizes não consideram conclusivo como protetor das manifestações clínicas das doenças cardiovasculares o consumo de antioxidantes, entre eles os flavanoides e os polifenóis (cereja, amora, uva, morango, jabuticaba, condimentos, vinho, ervas, chá, graos, sementes, castanhas, suco de uva).

No tocante ao aconselhamento nutricional, investigações sobre um programa comunitário com duração de oito anos demonstraram resultados satisfatórios, mas ainda insuficientes para conclusão definitiva. Verificou-se que o aconselhamento nutricional fez com que os indivíduos japoneses reduzissem o consumo de alimentos ricos em colesterol e gorduras saturadas, apesar dessa população não mostrar potencial ingestao desse tipo de alimentos, além dos níveis séricos de colesterol.18

Veen et al.19, após trabalharem por seis meses com aconselhamento nutricional baseado nas etapas de mudança, não encontraram alterações nos níveis de lípides dos participantes. No entanto, após 12 meses de aconselhamento, constataram redução do consumo de gordura dos participantes, mas que não refletiu nas concentrações plasmáticas de lipídios.

Kris-Etheron et al. 20 encontraram 5% de redução do colesterol LDL-c devido ao aumento do consumo diário de fibras solúveis (>1,7 g fibra solúvel – psyllium e > 0,75 g outros tipos de fibra solúvel), como consequência de um programa por intermédio de apoio usando o telefone com profissionais treinados.

Batista e Franceschini21, no intuito de demonstrar o impacto da atenção nutricional sobre as dislipidemias, realizaram estudo no qual os pacientes obtiveram significativa redução, após três meses de IMC (p< 0,01), de colesterol total (p< 0,05), de LDL-c (p< 0,05) e de triglicérides (p< 0,05), não havendo alteração apenas do HDL-c. A redução dos níveis de IMC, colesterol total, LDL-c e triglicérides foi ainda maior na segunda consulta, seis meses depois e na terceira consulta.

Henkin e Shai22 obtiveram 10% de redução nos índices do LDL-c após seis meses e depois de um ano de aconselhamento nutricional. A ênfase foi na redução do consumo de carnes gordas, dando preferência às carnes magras – aves e peixes; limitação do consumo de ovos, açúcar simples e margarina; aumento do consumo de frutas e legumes; prática de exercícios físicos regulares; interrupção do tabagismo e controle do tabagismo e do peso.

Couto et al.23 não alcançaram resultados significativos entre três e seis meses de acompanhamento nutricional, ocorrendo somente após um ano a melhora dos hábitos dietéticos dos participantes. Eles preconizaram ingestao de 30% ou menos de gordura do total de energia; dessas, 7% em gordura saturada, até 10% em gordura poli-insaturada, 15% monoinsaturada e 200 mg de colesterol/dia.

No estudo de Willaing et al.24, os participantes recebiam aconselhamento fornecido por diferentes profissionais, entre eles médicos e nutricionistas. Do total, 67% perderam peso e eram do grupo atendido por nutricionistas. No entanto, a redução do risco cardiovascular foi significativamente maior apenas no grupo dos médicos (p=0,005). Esses resultados mostraram que, em casos de obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis, como as dislipidemias, o paciente deve ser atendido, preferencialmente, por uma equipe interdisciplinar a fim de obterem-se resultados mais efetivos.

Propôs-se uma síntese do aconselhamento nutricional para o tratamento das dislipidemias pelos artigos aqui analisados. A Tabela 2 destaca a importância de uma composição nutricional diária saudável a ser implementada como significativa forma de prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As diretrizes americanas e brasileiras são instrumentos bastante completos para o aconselhamento nutricional contra as dislipidemias. No entanto, ressalta-se o papel fundamental dos artigos como subsídio para sua elaboração.

Estudos ainda necessitam ser realizados a fim de propor novas estratégias de tratamento de indivíduos dislipidêmicos, principalmente idosos.

A principal causa de morte em todo o mundo é a doença cardiovascular.1,2 A adoção de hábitos alimentares saudáveis devem, portanto, ser adotados como parte de um estilo de vida capaz de prevenir as doenças cardiovasculares. Melhores resultados de estratégias de prevenção serao obtidos com a individualização da intervenção dietética, que leve em consideração as modificações alimentares nos ciclos da vida, assim como questoes culturais e econômicas. Cabe ao profissional de saúde importante papel na implementação dessas medidas.

PSICANÁLISE DA EXISTÊNCIA:

Neste artigo procuramos trabalhar com as idéias de Psicanálise em Freud e Sartre. Parto da idéia de uma psicanálise “clássica” de Freud e a confronto com a idéia de psicanálise existencial em Sartre. Onde a primazia à liberdade é a tônica da psicanálise existencial; a consciência livre e projetiva produz, na realidade, toda espécie de desejos. A tarefa da psicanálise existencial é interrogar a consciência individual. O referencial teórico utilizado é o Ser e o Nada de Jean-Paul Sartre, que pressupõe a leitura de outras obras do filósofo existencialista, relacionadas nas referências, embora não citadas no texto.

I. Psicanálise

Sigmund Freud elaborou a psicanálise, às vezes chamada de psicanálise clássica, para distingui-Ia de muitas de suas derivações e de outras formas de psicanálise, como um procedimento para o diagnóstico e tratamento de certas neuroses. A psicanálise é, portanto, um método, mas é também uma doutrina relativa à natureza do ser humano. Tanto no método como na doutrina, usam-se certo número de conceitos fundamentais que exporemos sumariamente, sem dar-Ihes uma interpretação determinada e sem ter em conta as diversas doutrinas no próprio Freud.

Freud estima que não há atos de nenhuma classe, incluindo atos verbais e sonhos, que não tenham uma causa. Geralmente se supõe que os atos em que o homem executa, as idéias que tem, as palavras que diz, são explicáveis em virtude de motivos relativamente bem determinados ou, em todo caso, determináveis. Sabe-se que muitas vezes não se diz o que se havia querido dizer, ou se faz algo que não se havia querido fazer, ou se tem sonhos inexplicáveis ou estranhos. Sabe-se assim mesmo que em ocasiões se produzem inibições, se experimentam angústias, se tem sentimentos que Freud deu conta e razão de todas estas manifestações humanas à base de um mecanismo constituído por forças e atividades de tal índole que muito do que estava psiquicamente presente devia remeter a algo que estava ausente e que era, em princípio, inescrutável. A primeira noção e principal era apostada ao efeito, foi a do Inconsciente, ao qual pode hipostasiar-se em um tipo de realidade ou servir simplesmente de nome para uma série de entidades mentais chamadas “inconscientes”. Estas entidades mentais devem distinguir-se de atos mentais dos quais não somos conscientes, mas podemos ser conscientes à vontade. Com efeito, é característico do inconsciente freudiano ao servir como fundo no qual se ancoram e ao qual se remetem entidades mentais que o indivíduo inconscientemente recusa manifestar. Vou limitar a um caso somente, se bem que fundamental: o indivíduo vive em uma sociedade na qual há pressões de toda classe encaminhadas a moldá-Io segundo certos padrões. Para conformar-se com estes padrões, o indivíduo tem que reprimir seus próprios impulsos, os quais são “desalojados” da área da consciência e “censurados”. Quando a censura e a repressão são muito fortes podem irromper estados neuróticos. Normalmente, a censura opera de tal sorte que o próprio indivíduo encontra maneira de desviar sem que se produzam transtornos excessivamente graves, os impulsos. Estes se manifestam nos sonhos, que devem ser interpretados, em função de lentidão e equívocos inumeráveis formas de lapsus linguae e lapsus calami que parecem meros deslizes, mas que são símbolos de desvios, repressões e censuras. O paciente chega a crer que não é um paciente, que o que está ocorrendo com ele é normal, até o momento em que se acentua a gravidade de suas inquietudes. Quando isto sucede é mister encontrar meios para descobrir os desvios, as inibições, repressões etc. E abrir-lhes o caminho para que se manifestem claramente. Em certas ocasiões os impulsos flutuam no Inconsciente, e então voltam outra vez a produzir os estados de desassossego que podem culminar na neurose.

A análise consiste, assim, em fazer que o paciente ponha a descoberto, fatos ou atos que, desde o ponto de vista não psicanalítico, podem parecer perfeitamente normais, mas que, de acordo com a psicanálise, são sintomáticos. No decurso da análise se produzem transferências, entre elas se destaca a transferência ao próprio analista, das atitudes do paciente, com as outras pessoas. Deste modo, o analista se faz carregador das angústias e perplexidade do paciente, ao ponto que precisa ele, o analista, ser analisado. Há certos mecanismos “complexos” que mantêm o indivíduo ou em estado de paralisia mental ou em um estado de transferência de atitudes e emoções. Os complexos têm de ser desalojados, ou dissolvidos, mas é levado a cabo por meios puramente mentais, isto é, fazendo que o próprio paciente chegue não somente a conhecê-los, senão também a resolver a enfrentá-los. O mero conhecimento de que há um complexo não constitui ainda a cura.

A hipótese de um inconsciente, ou conjunto de entidades mentais inconscientes, Freud agregou a hipótese de uma série de impulsos, comparáveis a, se não identificáveis, com instintos e que constituem a força motor dos atos psíquicos. Não é sempre clara a relação entre impulsos e inconsciente, mas é provável que sem os primeiros o segundo permaneceria inativo. A energia dos impulsos é de várias classes e não somente sexual. É um erro atribuir a Freud a idéia de que a sexualidade é o motor único dos processos mentais. No entanto, Freud pôs em relevo a grande importância dos impulsos sexuais, isto é, da chamada “libido”, que se manifesta muito prematura no ser humano.

Freud tratou de sistematizar os mecanismos de explicação do comportamento psíquico mediante várias hipóteses suplementares. A mais destacada é a que postula três grandes fatores ou sistemas constituintes da personalidade: O Id, o Ego e o Superego. O Id é o nome que recebe a origem dos impulsos, os quais aspiram a ser satisfeitos. O Ego é a parte da pessoa que trata com o mundo e que representa uma espécie de ponte entre o mundo e o Id. No Ego se encontra o Superego, este trata de sobrepor-se ao Ego, e com ele, aos esforços do Ego para relacionar o Id com o mundo. O Superego aspira a exercer um controle sobre o eu, sobre o Ego, ao modo como as normas estatísticas e normativas (morais) aspiram a controlar o comportamento. De fato, o Superego é como o conjunto de normas que se adquiriu desde a infância e que aparecem às vezes como desejáveis e indesejáveis; desejáveis por sua racionalidade; indesejáveis por opor-se à satisfação dos impulsos do Id.

A repressão de impulsos pode ser, e é em pequena proporção, a causa da neurose. Por outro lado, os impulsos e especialmente a libido, podem ser canalizados e sublimados, dando lugar a grandes criações culturais. Mas, posto que os impulsos não se reduzem à libido, há que se ter em conta outros fatores ou sistemas de impulsos para dar conta tanto das atividades psíquicas individuais como, e sobretudo, do processo da civilização humana. O princípio do prazer fica compreendido em um princípio mais vasto e potente: o princípio da vida ou Eros. E este se contrasta com um impulso de morte ou impulsos de destruição. Boa parte da cultura humana se desenvolve ao fio do conflito entre estes dois impulsos.

Há muitas interpretações possíveis dos conceitos básicos propostos por Freud. Em uma passagem das lições para a Introdução à Psicanálise, 1916-1918, Freud diz que há que se descartar todo suposto alheio às questões tratadas, de qualquer índole que seja, anatômico, químico ou fisiológico, e há que se usar conceitos de caráter puramente psicológico. Isto faz com que se pense que a psicanálise de Freud se funda em uma psicologia ou metapsicologia puramente mentalista.

Em 1895, Freud redigiu um texto intitulado “Projeto de psicologia científica”, donde se propunha investigar as bases fisiológicas do comportamento psíquico, particularmente como estudo das interações de neurônios. A não publicação deste texto tem sugerido que Freud achava prematuro o estado dos conhecimentos de fisiologia do sistema nervoso na época. Se é verdade, o mentalismo não reducionista de Freud é conseqüência de uma série de hipóteses provisórias e não é, em princípio, incompatível com uma concepção fisiologista ou materialista. Os que estão a favor desta interpretação mostram que há continuidade entre o projeto científico de referência e o desenvolvimento da psicanálise freudiana. Alguns indicam que a teoria freudiana da psique, ainda que representada em termos puramente psicológicos, funda-se em modelos conceituais equiparáveis a modelos físicos, químicos ou neurofisiológicos.

II.  Psicanálise da Existência

Temos três sentidos para análise existencial:

A. Uma, melhor dita, analítica existencial psiquiátrica, desenvolvida por Ludwig Binswanger; Viktor Von Gebsattel, Erwin W. Strauss, Eugène Minkowski e Rollo May. Binswanger a definiu como uma forma antropológica de investigação científica, isto é, uma forma encaminhada a apreender a essência do ser humano. Seu nome e fundamentação filosófica derivam da análise existencial (Daseinsanalyse) de Heidegger e Medard Boss, embora quem tenha usado pela primeira vez a expressão análise existencial tenha sido Viktor Frankl. Heidegger teve o mérito de haver descoberto uma das estruturas fundamentais da existência e descrevê-Ia, em suas partes essenciais, isto é, a estrutura do “estar-no-mundo”.

As idéias de Binswanger representam uma parte importante da analítica existencial psiquiátrica, mas nem todos os psicanalistas existenciais estão de acordo com ela. Mas todos os psicanalistas acima citados insistem em que cultivam uma ciência empírica e que tem fins terapêuticos.

Os psicanalistas existenciais argúem contra os psicanalistas ortodoxos, ou clássicos, que ainda que estes últimos pretendam não apoiar-se em fundamentos filosóficos, o certo é que quase todas as suas teses e práticas se fundem em uma concepção naturalista do ser humano e usando esquemas procedentes das ciências naturais, por exemplo, o esquema da explicação causal.

B. Em outro sentido se chama de psicanálise existencial, alguns, como eu, preferem psicanálise da existência, a proposta por Jean-Paul Sartre, em O Ser e o Nada, parte IV, Cap. II, seção 1. Nem uma fenomenologia ontológica nem uma pura descrição empírica bastam para decifrar, isto é, saber interrogar as condutas, tendências e inclinações humanas. É necessário um método, que é a análise existencial. Sartre descreve seu princípio, finalidade, ponto de partida e método da seguinte maneira: o princípio que o homem é uma totalidade e não uma coleção; em conseqüência se expressa inteiro na mais insignificante e mais superficial de suas condutas. A finalidade é decifrar os comportamentos empíricos do homem. O ponto de partida é a experiência; seu ponto de apoio é a compreensão pré-ontológica e fundamental que o homem tem da pessoa humana. Seu método é comparativo, posto que, com efeito, cada conduta humana simboliza a seu modo a escolha fundamental que porá em manifesto, e posto que ao mesmo tempo cada conduta oculta tal escolha sob seus caracteres ocasionais e sua oportunidade histórica, comparando estas condutas faremos surgir a revelação única que expressam de modo diferente.

Note-se que em vários aspectos a psicanálise existencial sartreana é parecida com a clássica; em todo caso, ambas coincidem no principio adotado. Sartre reconhece que o esboço primeiro do método da psicanálise existencial foi proporcionado pela psicanálise de Freud e seus discípulos (Carl Gustav Jung e Alfred Adler), mas esta é razão demais para estabelecer em que diferem ambos os tipos de psicanálise. Uma discrepância fundamental é esta: a psicanálise clássica tem decidido acerca de seu elemento irredutível em vez de deixá-Io que se manifeste por si mesmo em uma intuição evidente. A Libido ou a Vontade de poder constituem, com efeito, um resíduo psicobiológico que não é por si mesmo claro, e que não nos parece que deva ser o fim irredutível da investigação. Esta discrepância se deve ao que se poderia chamar, paradoxalmente, a natureza da escolha fundamental, que desempenha um papel decisivo na idéia sartreana da realidade humana e que descarta todas as causações mecânicas e, em rigor, todas as causações. A psicanálise existencial interroga com a finalidade de extrair à luz esta escolha, a diferença de qualquer estado. Uma importante diferença entre a psicanálise freudiana e a sartreana é que este último rechaça a hipótese do inconsciente. O fato psíquico, afirma Sartre, é co-extensivo à consciência.

“A psicanálise empírica trata de determinar o complexo… A psicanálise existencial procura determinar o projeto original” (EN 690). O projeto é o conceito chave de Sartre para o exame do comportamento humano e é estabelecido a partir da liberdade radical do conceito de para-si (consciência). Ora, se somos indeterminação pura, não possuímos nenhum caráter no sentido estrito da psicanálise clássica, freudiana ou não, pois toda ela é determinista. Sartre afirma que não há caráter, há projeto de si mesmo. Educação, hereditariedade, constituição física, são para Sartre ídolos explicativos de nossa época, para ofuscar nossa liberdade, nos eximimos da responsabilidade e usamos como armas a má fé.

Somos condenados a ser livres, somos livres para escolher a nós mesmos.

Sartre estuda como se desdobra e se efetiva no mundo nossa liberdade segundo a estrutura da ação humana. O para-si cria um conteúdo através de atos: ele é obrigado a escolher e agir, face às possibilidades que se abrem diante dele. A ação é fundada no vazio do para-si e na sua capacidade de negação.

Mas, para agir o homem deve estabelecer projetos: decidir entre as coisas a serem feitas, e quais ele irá efetivamente fazer. A decisão é feita pela valoração da consciência. A consciência confere valor às coisas, tomando-as preferíveis umas às outras. Por isso, Sartre afirma que a consciência reflexiva se identifica com a consciência moral. A consciência moral é necessariamente implicada na consciência reflexiva. Ao refletir sobre o mundo eu imediatamente o julgo e o avalio. O valor é a criação específica do ser para-si: funda-se na liberdade.

Ao criar e conferir valores, escolho livremente meus atos e o que a psicanálise clássica chamaria de “caráter”. Essa escolha fundamental de mim próprio é o que Sartre designa de “projeto original”, não é um “caráter”, pois pode ser mudado a qualquer momento, mas orienta a minha maneira de apreender o mundo, subordina meus outros projetos e determina minhas ações, emoções, sentimentos etc.

À psicanálise freudiana reconhece Sartre, muitos méritos tanto práticos como teóricos: o de ter considerado o homem não como um conjunto de fenômenos sem relação, mas como uma totalidade orgânica; o de ter compreendido que cada palavra e cada gesto humano só encontram o seu significado se referido a esta totalidade; e que ambas, as palavras e os gestos, são símbolos de situações outras, as quais devem ser levadas em conta para compreender tais palavras e gestos; que existe no homem uma vida profunda e pré-reflexiva onde atuam desejos e impulsos de grande importância para todo o ser e agir humanos, e que o problema de fundo é a determinação desses desejos e impulsos, embora o sujeito não possa cumprir esta tarefa por si só, apenas com o seu próprio intelecto. Mas, para Sartre, a psicanálise freudiana veio comprometer a validade das suas próprias teses, ao ditar diversos princípios falsos. Sendo que, alguns destes princípios são análogos aos da velha psicologia que, todavia, a psicanálise pretendia rebater. Freud manteve uma concepção materialista e biologista, basta que pensemos como é apresentada a libido – das forças e dos fenômenos psíquicos. Desprezou a natureza própria da consciência, introduzindo a noção de inconsciente e negando a capacidade de livre escolha inerente ao homem. Assim esboçou uma teoria determinista e generalizante, resultado de considerar as forças e as estruturas como atuantes de um modo universal e necessário em todos os indivíduos. Destituído da sua capacidade intrínseca de livre escolha, o homem freudiano surge condicionado de um modo absoluto por toda uma série de determinismos, situações que o restringem a certa natureza e a certo passado.

A psicanálise existencial esboçada por Sartre pretende, antes de mais nada, dar um novo fundamento à especificidade dos fenômenos psíquicos e recuperar a consciência como livre escolha e livre projeção. Rejeita a pretensão de considerar as pulsões e os complexos como outros tantos em-si (mundo) existentes em números finitos dentre os quais se poderiam indicar de um modo universal e necessário os mais importantes (a sexualidade, o poder, a morte etc.) Para-si ontologicamente livre e projetivo, a consciência pode produzir, na realidade, toda a espécie de desejos. Toda a consciência constitui de um modo autônomo e indecomponível, a sua teia de desejos e projetos próprios, de faltas e de escolhas próprias. A tarefa da psicanálise não pode ser, portanto, o estabelecimento de uma tabela apriorística e abstrata dos desejos, complexos etc., em geral. Em vez disso, ela deve interrogar a consciência na sua existencialidade individual, procurando compreender o modo como o “projeto fundamental” do homem, fazer-se síntese finalmente de em-si-para-si, fazer-se Deus, se concretiza em cada caso singular em múltiplos desejos e projetos particulares e numa determinada relação consigo, com o Outro, com o mundo circundante.

Com a definição da consciência, como liberdade, Sartre é levado a não considerar o peso dos condicionamentos psíquicos. Mas é preciso dizer que algumas críticas ao biologismo e ao determinismo são muito importantes e que sua insistência nas questões da consciência – como falta e desejo e da escolha como expressão pré-reflexiva, de todo o sujeito enquanto ser-no-mundo, suscita um aprofundamento dos aspectos subjetivos e existenciais presentes no agir humano.

A liberdade é apresentada como uma “totalidade não analisável” (EN,548), não podendo ser objetivada ou definida de modo algum. Dela apenas se pode ter uma experiência pessoal e interior. Mas, a liberdade configura-se como um absoluto: sem essências sem norma, sem necessidade lógica. Não estando condicionada a qualquer fixação efetiva na situação histórico-social do sujeito humano a liberdade não pode ser examinada na sua proveniência, conteúdos, modos específicos e determinados; definida como superação e transcendência, configura-se como não-ser, como negação genérica de uma realidade classificada como facticidade opaca e em estado bruto. Identificada com o próprio ser do homem, deveria na teoria definir o horizonte ontológico do agir humano sob a forma de possibilidade e problematização. Ao invés disso, e devido ao seu caráter absoluto, esta identificação transforma o âmbito do possível e do problemático – que deveria diferenciar o homem das coisas no seu contrário – o homem, como já dissemos, está condenado à liberdade, ou seja, vive a liberdade como necessidade e como destino.

O homem, neste ponto, vive no absurdo e na angústia. O absurdo está, para Sartre, no fato de que o ato humano, qualquer que seja este ato, sendo levado a cabo por um sujeito livre, independente de todos os princípios e valores dados. Assim como criticamente transcendente ao negar a realidade sobre a qual age, não é fundado em qualquer objetividade exterior, sendo determinado apenas por uma norma interior, para além de todas as razões. É, por isso, incompreensível, absurdo, à luz dos simples dados e dos princípios gerais e objetivos. A angústia, em seguida, está no fato de que o sujeito enquanto sujeito livre se descobre como um mero nada, como transcendência que se distancia em relação às coisas, como inevitável projeção em direção a esse nada que é o futuro, assim negando o ser do presente. E acaba descobrindo, também, o inquietante vazio da sua própria disponibilidade em relação à infindável gama de possibilidades de ação em um mundo que, por sua vez, lhe surge como enigmático e silencioso, não a ponto de impedir a ação, mas também não fornecendo um sentido e indicações de modo a clarificar a própria ação. Concebida como não-ser, como transcendência por definição estranha ao ser e estranhando o ser, a liberdade sartreana parece condenar o homem a uma solidão absoluta, porque não há a priori a possibilidade de deixar uma marca válida na realidade. O conceito primordial da psicanálise existencial é o da liberdade.

III. A Liberdade

O que leva Sartre a rejeitar a concepção comum de liberdade é sua crença de que o poder de realizar fins particulares não é em si um grande valor, sob esta sentença repousam outras três.

_ Em primeiro lugar, o homem é um ser que só existe projetando-se a si próprio além do presente, em direção ao futuro. Existir é fixar alvos e persegui-Ios. Se tenho um desejo empírico e ele é satisfeito significa que substituiremos e devemos substituí-Io por outro desejo. Um estado de completa satisfação dos desejos seria equivalente à morte. A tragédia da condição humana está em que o homem é um ser que deseja e o desejo é um estado de carência ou falta. O existencialista afirma que o homem comum definiu a liberdade com base na noção errada de que há um estado de desejo satisfeito ou ausência de frustração, que pode ser alcançado através da satisfação dos desejos empíricos. O homem tem de desejar para existir, e no ato do desejo, ele se constitui como incompleto e não realizado. Tal imperfeição e insatisfação são necessárias para que o homem seja livre, mesmo no sentido de ser capaz de superar obstáculos. A liberdade, diz Sartre, “cria ela mesma os obstáculos em virtude dos quais sofremos” (EN, 576). Portanto não adianta dizer que eu sou livre para ir ao Japão pelo fato de não ter dinheiro. Pelo contrário, é em relação a meu projeto de ir ao Japão que eu me vou situar não tendo dinheiro.

_ Em segundo lugar, mesmo que o homem conseguisse satisfazer todos os seus desejos particulares, empíricos, ele não alcançaria a felicidade; pois o desejo de objetos particulares, empíricos do mundo, está sempre pendente e é simplesmente uma particularização do desejo mais geral, do impossível. O projeto fundamental do homem, de ser Deus, não pode ser satisfeito através do desejo empírico, como o complexo de Édipo não pode ser resolvido, ao sonhar que um soldado mata o general. O que Sartre quer dizer, é que um desejo satisfeito, no sentido de desejo realizado, não traz satisfação no sentido de prazer ou felicidade.

_ Em terceiro lugar, mesmo que o homem pudesse furtar-se ao assalto de desejos e pudesse sentir prazer ou felicidade em um estado de satisfação total dos desejos, isto se daria à custa da intensidade e dos valores existencialistas. É claro que a vida intensa com valores existencialistas seria superior a um estado de contentamento ou felicidade.

“O homem, diz Sartre, não pode ser ora livre, ora escravo; ele é totalmente e sempre livre, ou não o é” (EN,516). Ele nega que situações objetivas, ou motivos subjetivos nos conduzam realmente à ação. A situação objetiva nos leva a agir somente na medida em que a apreendemos e nossa própria apreensão de uma situação objetiva é determinada por uma livre escolha de fins. As paixões ou motivos subjetivos só podem ser considerados em um sentido derivado, uma vez que as paixões só têm o peso que lhe damos. Não somos joguetes de nossas paixões; somos nós que as escolhemos. É claro que as paixões ou motivos subjetivos existem realmente. Mas não devemos considerá-Ias como “pequenas entidades psíquicas habitando a consciência” (EN,643) e exercendo uma influência causal original, e não como manifestações de uma opção anterior.

O motivo real do comportamento humano é um projeto original de nos escolher livremente no momento em que nos destacamos do em-si (mundo) para criar nosso mundo. A causa genuína do comportamento humano é o projeto fundamental de ser do indivíduo. E esse projeto é “uma opção e não um estado; não está enterrado nas trevas do inconsciente” (EN, 661). É antes de tudo uma determinação livre e consciente de si mesmo. A liberdade para Sartre consiste em que “o projeto de ser do indivíduo, fundamental e livremente escolhido, exprime a totalidade de seu impulso em direção ao ser, sua relação original para consigo, com o mundo e com os outros”. “O homem, diz Sartre, é uma totalidade e não uma coleção” (EN,656). Pois dado o conhecimento do projeto fundamental de ser de um indivíduo, é possível compreender a mais insignificante e mais superficial de suas atitudes.

A Liberdade é o fazer-se do homem. O para-si, com efeito, é consciência, mas também e mais profundamente liberdade, pois está constituído pelo nada que leva em si e que o opõe radicalmente ao em-si. Já que não pode ser simplesmente, fica a obrigação de fazer-se. Mas a liberdade não é outra coisa: é esse mesmo nada que caracteriza o homem, ou a realidade humana, que segrega seu próprio nada, como possibilidade permanente daquela ruptura ou aniquilação do mundo que é a estrutura mesma da existência. A liberdade é condição primeira da ação.

A Liberdade não é definível, porque não tem essência; pelo contrário, a liberdade é o fundamento de todas as essências. É precisamente o nada que tem existido no coração do homem e que obriga a realidade humana a fazer-se, em lugar de ser. Consiste, portanto, na mesma existência humana: nela, a existência precede a essência, isto é, não há uma natureza humana; somente há uma maneira de dizer que o homem se faz escolhendo-se. A liberdade do para-si aparece como seu ser. Mas como essa liberdade não é algo dado, nem uma propriedade, somente pode ser escolhendo-se.

Sartre, como estamos vendo, aceita a análise comum do ato voluntário, que se determina para seus fins através de certas causas subjetivas e motivos objetivos. Mas a realidade humana não pode receber seus fins nem do exterior nem de uma pretendida natureza interior. Ela mesma os escolhe e por essa escolha confere-lhes uma existência transcendente como limite externo de seus projetos. A liberdade originária é pura espontaneidade e o fundamento dos fins que trata de alcançar, seja pela vontade ou pelos impulsos passionais; toda a estrutura da escolha deliberada se organiza com o conjunto de causas, motivos e fins pela espontaneidade livre e esta sustentada por uma liberdade originária e ontológica, que coincide com a aparição da mesma existência. “Estou condenado a ser livre”, isto significa que não se poderá encontrar a minha liberdade em outros limites que os dela mesma, ou, que não sou livre para deixar de ser livre.

O ato fundamental da liberdade e o que dá seu sentido às ações particulares, um ato constantemente renovado, que não se distingue de meu ser, é escolha de mim mesmo, no mundo e, ao mesmo tempo, descobrindo o mundo. E uma escolha original que se confunde com a consciência que temos de nós, porque escolha e consciência são uma só e a mesma coisa. E é a vez do projeto fundamental de minha existência, pois a liberdade não se refere tanto aos atos e volições particulares quanto a esse projeto fundamental, no qual estão compreendidos e que constitui a possibilidade última da realidade humana. O projeto fundamental deixa sem dúvida certa margem de contingência às volições e aos atos particulares; mas a liberdade originária é a que é inerente à escolha deste projeto inicial e às diversas maneiras de constituir nossas vidas pela vontade, encontram sentido no projeto inicial e não poderão alcançar mais que estruturas de detalhe que não modificam jamais o projeto original. Nossos projetos particulares referentes à realização no mundo de um fim particular se integram no projeto global que somos.

Mas a liberdade é pura facticidade e contingência. Que o para-si seja livre não significa que seja seu próprio fundamento. Se ser livre significará ser seu próprio fundamento seria preciso que a liberdade decidisse acerca de seu próprio ser. Não poderia determinar-se a existência partindo do nada, já que então seria Deus. O homem em sua liberdade está aflito de uma contingência irremediável. Estamos condenados à liberdade, abandonados e jogados nela. Por isso nossa liberdade está em situação e não podemos modificar nossa situação ao nosso arbítrio. Denominaremos situação à contingência da liberdade no pleno ser do mundo e enquanto é dado, que não está ali para obrigar a liberdade. O para-si se descobre como marcado no ser, cercado pelo ser, ameaçado pelo ser; descobre o estado de coisas que o rodeia como motivo para uma reação de defesa ou ataque. O paradoxo da liberdade é que não há liberdade senão em situação e não há situação senão pela liberdade.

Há diversos tipos de situação: espacial, geográfica, passado, meu próximo. Em todas elas, a liberdade encontra resistências e obstáculos que não foi criado. No entanto, não destroem, nem amenizam a liberdade da escolha, que não há de confundir-se com a liberdade de obter, pois a liberdade pode assumir na previsão e organização seus projetos, as realidades provenientes de um coeficiente de adversidade e de utilidade. O projeto de liberdade é um projeto aberto. E a liberdade recupera e faz com que entrem na situação os limites irrealizáveis, escolhendo ser liberdade limitada pela liberdade do outro, ou assumindo a alienação permanente de seu ser-objeto. Sou absolutamente livre e responsável por minha situação. Mas não sou jamais livre senão dentro de uma situação. Assim, a liberdade é total e infinita, o que não quer dizer que não tenha limites, senão que não os encontra jamais. A liberdade tropeça nos únicos limites que se impõe a si mesma: a morte e o nascimento.

A morte, como situação-limite, Sartre tenta humanizar sua realidade. A morte é simplesmente um fato puro ou facticidade derivada de minha contingência e ser nada; e como o nascimento, é afetado do mesmo absurdo. É absurdo que tenhamos nascido, como é absurdo que devamos morrer, esse absurdo se apresenta como alienação permanente de meu ser-possibilidade que não é já minha possibilidade. É uma espera enganosa, que isenta toda a significação da vida. Eu sou espera de esperas de espera que a morte suprime totalmente; a morte transforma minha vida em destino. Mas, não traça limites à minha liberdade. Trata-se, pois, de um limite permanente a meus projetos, e como tal, deve ser assumido este limite. Não há, no fundo, diferença entre a escolha pela qual a liberdade assume sua morte como limite inacessível de sua subjetividade e aquela pela qual escolheu ser liberdade limitada. A conseqüência é que a morte marca o signo mais claro da negatividade do para-si, que se deve resistir com fria atitude estóica.

O erro do determinismo psicológico foi o de procurar uma causa preexistente, unívoca e objetiva para todos os atos humanos, ao mesmo tempo, que descura a existência da consciência crítico-intencional do homem e a sua inerente capacidade de agir de um modo livre e próprio em relação à facticidade do existente. A esta atitude errada, contrapõe Sartre uma psicologia que se recusa a reduzir a consciência a um inerte em-si, em vez disso, concebendo-a como um para-si ontologicamente “em falta” e “desejante” e, portanto, ontologicamente tendente a superar a sua própria situação. A liberdade é precisamente esta permanente “superação”, e “projeção”, absolutamente espontânea e não derivada do sujeito. O livre agir não resulta propriamente de alguma causa que o motive, sendo antes ele mesmo ao escolher as suas próprias causas à luz dos seus próprios fins e projetos. A psicologia não deve, pois, pretender “entender” de um modo intelectual e determinista os motivos singulares que estão por trás dos atos humanos singulares. Deve, em vez disso, procurar “compreender” a teia de escolhas e de projetos autônomos e originais que constitui o ser do homem enquanto sujeito livre. A esta psicologia anti-factualista e anti-determinista deu Sartre o nome de “psicanálise existencial” (repito, eu prefiro “psicanálise da existência”, mas uma andorinha… ).

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